Eis o problema nº 4, Naquela Noite de Maio, do Torneio do Cinquentenário de Mistério Policiário. O problema, da autoria de Virmancaroli, está publicado no blogue Momento do Policiário.
TCMP - Torneio Cinquentenário Mistério e Policiário
Problema Policiário n.º 4
Por : Virmancaroli (Montijo)
NAQUELA NOITE DE MAIO
Nesse
mês de Maio, com temperaturas amenas para a época, mas com manhãs um pouco
frias e ventosas, envolvia-nos com tardes bem agradáveis que se deixavam
arrefecer para a noite e pela madrugada
adentro. Era um ciclo meteorológico imperturbável, este. E foi numa
dessas noites, de Maio, quando eram precisamente três horas e trinta e nove
minutos da madrugada, daquele Sábado, véspera de lua nova, por sinal, que um forte
ruído de vidros estilhaçados irrompeu pelo silêncio da madrugada.
Um
início de fim de semana que se julgava tranquilo, como tantos outros anteriores,
já passados, mas que afinal se previa agora desassossegado! Seria mesmo assim?...
Já
há muito tempo que na ribeirinha cidade do Montijo não se registavam incidentes
de maior, pese embora o facto de uma ou outra ocorrência que rapidamente se
esfumava e das quais nem registo havia sequer, tal a irrelevância das mesmas.
Naquela
Praça da República, aquela Praça velhinha, no centro histórico da cidade, que
apesar de descaracterizada, privilegiava ainda o comércio local, envolta na sua
luz habitualmente ténue, fruto das tecnologias, e aquela hora, não se viam pessoas
nem automóveis, a praça estava completamente deserta sem movimento algum pelo
que dava a impressão de que o incidente iria passar despercebido.
Mas
não foi isso o que realmente aconteceu, imagine-se!
O Inspector
Alfama, em serviço, de turno, nessa noite
na Esquadra do Borralhal, estremeceu, assustado, outra coisa não seria de
esperar, enquanto passava pelas brasas, ao ouvir o telefone tocar de repente. Lá
lhe iam estragar a noite, pensou ele. Pegou no auscultador e simultaneamente
olhou para o relógio, oferta da esposa em dia de aniversário, que marcava nesse
preciso momento três horas e quarenta e um minutos. Depois, então, atendeu o
telefonema, não sem com alguma contrariedade. Chamada concluída e no momento em
que colocava o auscultador no descanso, a porta ao lado abriu-se e o Sargento
Boaventura entrou na sala.
Passou-se
alguma coisa, perguntou ele? Pois, foi isso mesmo! Replicou o Inspector Alfama,
acabaram de assaltar a “Cara & Coroa”! A “Cara & Coroa”? Exclamou
Boaventura, atónito.
Aquela
loja na Praça da República que vende e compra moedas?
Alfama
anuiu que sim… essa mesmo.
Foi
o próprio dono da loja, o Zé Bastos quem me telefonou. Vou para lá, agora, ver
o que se passou e já me estragaram a noite. Olha, Boaventura faz-me o favor de
acordares o Sargento Oliveira, para ele me acompanhar.
A
ausência anunciada, nessa noite, do Guarda Nocturno, pago pelos comerciantes da
Praça, já poucos por sinal, possivelmente poderá ter deixado os comerciantes mais
vulneráveis…, mas até porque também já há bastante tempo que não se registava
ali nenhuma ocorrência de roubo, ou de outro abuso qualquer!
Entretanto,
algum tempo depois e quando os dois polícias chegaram junto à loja de
numismática, pertencente ao comerciante Zé Bastos, o sino da Torre da Igreja da
Misericórdia, ali bem perto da Praça da República, batia as quatro horas e meia,
badaladas que bem se fizeram ouvir, nessa noite bem escura e húmida.
Via-se
um enorme buraco no vidro da porta da loja e o Sargento Oliveira juntou com o
pé os estilhaços, formando um monte considerável em frente da entrada.
Nesse
preciso momento a porta da loja abriu-se. Agradeço-lhes terem, assim, vindo tão
depressa. Eu sou o Zé Bastos proprietário da loja. Os polícias entraram na loja,
sem deixarem, contudo, de observar a grande desarrumação de álbuns em cima do
balcão e foram de imediato os três, para uma sala bem iluminada onde o
proprietário começou então as explicações que motivaram a chamada por si feita.
Como
resido fora da cidade, ali na Jardia, portanto, ainda bem longe da loja e
quando tenho mercadoria para arrumar, pois, ontem fiz algumas compras, costumo
dormir sempre aqui, porque tenho de começar bem cedo com as arrumações, antes de
a loja abrir.
Assim,
esta noite, tendo eu o sono leve, ouvi, de repente, tilintar qualquer coisa.
Fiquei um momento à espera, pensando que estava a sonhar, mas depois
apercebi-me que alguém estava a mexer na fechadura da porta da loja. Saltei da
cama de imediato, fui vestindo o roupão e vim logo para aqui. Mesmo no escuro ainda
deu para perceber a silhueta do intruso. Era um homem alto, de óculos escuros e
de gorro pela cabeça, que se pôs logo em fuga assim que se apercebeu da minha
presença. Eu ainda fui atrás dele até ali ao fim da praça, mas ele era jovem e bem
rápido, pelo que desapareceu na noite quando virou à esquina da Praça. Então,
voltei, depois, para a loja e telefonei-lhes.
Após
um breve impasse, quase como que uma cortina para meditação, em que se gerou
algum silêncio, Zé Bastos estendeu a mão, mostrando aos polícias um tijolo. Isto
estava ali, ao pé da porta. O gatuno teria
partido o vidro com ele, meteu a mão pelo buraco e abriu a fechadura pelo lado
de dentro.
E
conseguiu levar alguma coisa, pergunta o Inspector Alfama?
Infelizmente,
sim. Levou-me um dos álbuns mais valiosos com moedas romanas que eu tinha
recebido ontem mesmo e que estava ainda aqui em cima do balcão e, que era para
ser arrumado hoje, quando catalogadas as moedas. Não deixa de ser um grande transtorno
para mim, pese embora o facto de já as ter segurado, ontem mesmo, quando as
recebi, como habitualmente o faço com a mercadoria mais valiosa.
Sim,
e enquanto avalia o seu prejuízo, ou seja, neste caso, o produto do roubo?
Cerca de cinco mil euros, respondeu Zé Bastos. Foi mesmo muito azar comentou o
Sargento Boaventura, olhando para Zé Bastos, mas como o seguro vai pagar-lhe
tudo, melhor para si. Na verdade assim o espero e que não demore porque o
negócio tem andado ultimamente mesmo muito mal.
Já
o Inspector Alfama não estava tão confiante quanto Boaventura, pelo que olhando de frente e bem na cara para Zé Bastos
disse-lhe: Olhe, entretanto, vá-se vestindo para me acompanhar à Esquadra, pois
temos de registar a ocorrência.
Vai
levantar um auto, diz Zé Bastos? Sim, isso também.
Também?
O que é que quer dizer com isso? Perguntou Zé Bastos, cuja voz enrouquecera, agora, subitamente.
É
que também temos de tomar nota das aldrabices que nos quis impingir, tendo o
valor do seguro que pensaria receber, na mente.
Foi
tal o susto de Zé Bastos que os óculos lhes escorregaram pelo nariz abaixo. Com
um gesto nervoso ele tirou-os e começou a limpá-los a uma ponta do roupão.
Mas…,
mas o que é isso? Que brincadeira é essa? Eu vou queixar-me de si aos seus
superiores disse Zé Bastos.
O Inspector
Alfama fez um sorriso. Para quê, se pretendia enganar a Polícia e depois a Seguradora?
É isso mesmo que vai esclarecer no auto.
Pergunta-se :
Quais os motivos que teriam levado o
Inspector Alfama a duvidar das declarações do comerciante Zé Bastos, convicto de
que tudo não passara de uma encenação deste para receber o dinheiro do seguro?!
NOTA
FINAL :
Os
projectos de solução a este problema, deverão ser enviados impreterivelmente
até
ás 24h00 de 30 de Abril de 2025 :
via
electrónica ( WEB ), para o endereço de e-mail :
viroli@sapo.pt
ou
por via
Postal ( CTT ) para :
Luís
Manuel Felizardo Rodrigues ( O Gráfico ) , Praceta Bartolomeu Constantino n.º 14 – 2.º esq.º
FEIJÓ
2810 – 032 ALMADA .