sexta-feira, 4 de abril de 2025

A Página dos Enigmas n.º 78

 


Ninguém cria no vazio, há sempre um ponto de partida, e este problema surgiu de uma ideia aparecida com um velhinho problema do Luís Pessoa, que ele assinou como L.P. e publicou em Mistério Policiário. A chave de A morte do traficante não está nesse problema, mas foi daí que surgiu a ideia. "Roubo no Comboio" é o seu titulo e foi publicado em 2 de outubro de 1975.

Relativamente ao texto A morte do traficante referem-se algumas situações que advêm da solução.

Em nenhum trecho da carta surge a palavra você. O texto permite que o tratamento seja o de você ou o de senhor. Não se pode olvidar que apenas estão transcritas pequenas frases.

Acresce que o inglês "you" tanto pode ser traduzido por tu como por você ou o senhor. Seriam precisos outros elementos, não presentes na tradução, para saber qual a utilização mais adequada. Lembro-me, por exemplo, das traduções de Erle Stanley Gardner, em que numas  Perry Mason trata a secretária, Della Street, por tu e noutras por você. E não é apenas a diferença de umas traduções  serem feitas no Brasil e outras em Portugal.

Os americanos falam de biliões e os europeus em milhares de milhões. Na europa um bilião é um milhão de milhões. Aliás, na atualidade, é muito frequente, a propósito de armas, os americanos falarem de biliões de dólares, e os europeus, referindo-se à mesma quantia, usarem a designação de milhares de milhões. 

Para evitar esta dupla forma de escrever, utilizam-se os prefixos, Mega, Giga, Tera, etc. Veja-se como, na área de informática, não existe qualquer confusão sobre a capacidade de armazenamento dos computadores ou a frequência dos microprocessadores. Em todo o planeta se fala de terabytes ou de gigahertz.

O sinal da mina de Hofmann, descrito no texto, implica a arma encostada à pele, sobre uma superfície dura, e, neste caso, também horizontal, na linha do percurso  do projétil dentro da cabeça, o que é muito fácil de conseguir para alguém com alguns centímetros de altura a mais do que a vítima. Repare-se que não se sabe a altura exata de Hans, apenas que tinha mais de um metro e oitenta, ou seja, tinha uma altura que lhe permitia encostar a arma à cabeça da vítima, mantendo o revólver na posição horizontal.

Foi aceite como correta, a resposta de que a arma teria que estar muito próxima da pele, não encostada, uma vez que nem sempre as fontes consultadas são concordantes e têm a informação completa.

É essencial a referência ao facto de a carta  não ter sido simulada, ou seja, não ter sido escrita por um americano a fingir ser europeu. Se isso ocorresse,  haveria dois suspeitos. Segundo o texto, ficou provado que não houve simulação da escrita. Note-se que a solução não é o relatório do polícia, e este é feito antes da ida a tribunal, ou seja antes de ter sido provado quem escrevera a carta. O relatório é feito pelo leitor, como é pedido no final do problema, considerando já as provas feitas em julgamento.

As classificações foram bastante bonificadas no que se refere a justificações, pois muitas das soluções poderiam ter menos 1 ou menos 2 pontos. Desde que o tópico fosse abordado de forma lógica, dei a pontuação, ou a então a hecatombe seria muito maior do que aquela que ocorreu.

As classificações do problema serão publicadas no dia 7 de abril.

quinta-feira, 3 de abril de 2025

A Página dos Enigmas nº 77

 


Eis o problema nº 4, Naquela Noite de Maio, do Torneio do Cinquentenário de Mistério Policiário. O problema, da autoria de Virmancaroli, está publicado no blogue Momento do Policiário.


TCMP - Torneio Cinquentenário Mistério e Policiário

Problema Policiário n.º 4

Por : Virmancaroli (Montijo)

 

NAQUELA NOITE DE MAIO

 

Nesse mês de Maio, com temperaturas amenas para a época, mas com manhãs um pouco frias e ventosas, envolvia-nos com tardes bem agradáveis que se deixavam arrefecer para a noite e pela madrugada  adentro. Era um ciclo meteorológico imperturbável, este. E foi numa dessas noites, de Maio, quando eram precisamente três horas e trinta e nove minutos da madrugada, daquele Sábado, véspera de lua nova, por sinal, que um forte ruído de vidros estilhaçados irrompeu pelo silêncio da madrugada.

Um início de fim de semana que se julgava tranquilo, como tantos outros anteriores, já passados, mas que afinal se previa agora desassossegado! Seria mesmo assim?...

Já há muito tempo que na ribeirinha cidade do Montijo não se registavam incidentes de maior, pese embora o facto de uma ou outra ocorrência que rapidamente se esfumava e das quais nem registo havia sequer, tal a irrelevância das mesmas.

Naquela Praça da República, aquela Praça velhinha, no centro histórico da cidade, que apesar de descaracterizada, privilegiava ainda o comércio local, envolta na sua luz habitualmente ténue, fruto das tecnologias, e aquela hora, não se viam pessoas nem automóveis, a praça estava completamente deserta sem movimento algum pelo que dava a impressão de que o incidente iria passar despercebido.

Mas não foi isso o que realmente aconteceu, imagine-se!

O Inspector  Alfama, em serviço, de turno, nessa noite na Esquadra do Borralhal, estremeceu, assustado, outra coisa não seria de esperar, enquanto passava pelas brasas, ao ouvir o telefone tocar de repente. Lá lhe iam estragar a noite, pensou ele. Pegou no auscultador e simultaneamente olhou para o relógio, oferta da esposa em dia de aniversário, que marcava nesse preciso momento três horas e quarenta e um minutos. Depois, então, atendeu o telefonema, não sem com alguma contrariedade. Chamada concluída e no momento em que colocava o auscultador no descanso, a porta ao lado abriu-se e o Sargento Boaventura entrou na sala.

Passou-se alguma coisa, perguntou ele? Pois, foi isso mesmo! Replicou o Inspector Alfama, acabaram de assaltar a “Cara & Coroa”! A “Cara & Coroa”? Exclamou Boaventura, atónito.

Aquela loja na Praça da República que vende e compra moedas?

Alfama anuiu que sim… essa mesmo.

Foi o próprio dono da loja, o Zé Bastos quem me telefonou. Vou para lá, agora, ver o que se passou e já me estragaram a noite. Olha, Boaventura faz-me o favor de acordares o Sargento Oliveira, para ele me acompanhar.

A ausência anunciada, nessa noite, do Guarda Nocturno, pago pelos comerciantes da Praça, já poucos por sinal, possivelmente poderá ter deixado os comerciantes mais vulneráveis…, mas até porque também já há bastante tempo que não se registava ali nenhuma ocorrência de roubo, ou de outro abuso qualquer!

Entretanto, algum tempo depois e quando os dois polícias chegaram junto à loja de numismática, pertencente ao comerciante Zé Bastos, o sino da Torre da Igreja da Misericórdia, ali bem perto da Praça da República, batia as quatro horas e meia, badaladas que bem se fizeram ouvir, nessa noite bem escura e húmida.

Via-se um enorme buraco no vidro da porta da loja e o Sargento Oliveira juntou com o pé os estilhaços, formando um monte considerável em frente da entrada.

Nesse preciso momento a porta da loja abriu-se. Agradeço-lhes terem, assim, vindo tão depressa. Eu sou o Zé Bastos proprietário da loja. Os polícias entraram na loja, sem deixarem, contudo, de observar a grande desarrumação de álbuns em cima do balcão e foram de imediato os três, para uma sala bem iluminada onde o proprietário começou então as explicações que motivaram a chamada por si feita.

Como resido fora da cidade, ali na Jardia, portanto, ainda bem longe da loja e quando tenho mercadoria para arrumar, pois, ontem fiz algumas compras, costumo dormir sempre aqui, porque tenho de começar bem cedo com as arrumações, antes de a loja abrir.

Assim, esta noite, tendo eu o sono leve, ouvi, de repente, tilintar qualquer coisa. Fiquei um momento à espera, pensando que estava a sonhar, mas depois apercebi-me que alguém estava a mexer na fechadura da porta da loja. Saltei da cama de imediato, fui vestindo o roupão e vim logo para aqui. Mesmo no escuro ainda deu para perceber a silhueta do intruso. Era um homem alto, de óculos escuros e de gorro pela cabeça, que se pôs logo em fuga assim que se apercebeu da minha presença. Eu ainda fui atrás dele até ali ao fim da praça, mas ele era jovem e bem rápido, pelo que desapareceu na noite quando virou à esquina da Praça. Então, voltei, depois, para a loja e telefonei-lhes.

Após um breve impasse, quase como que uma cortina para meditação, em que se gerou algum silêncio, Zé Bastos estendeu a mão, mostrando aos polícias um tijolo. Isto estava ali, ao pé da porta. O gatuno  teria partido o vidro com ele, meteu a mão pelo buraco e abriu a fechadura pelo lado de dentro.

E conseguiu levar alguma coisa, pergunta o Inspector Alfama?

Infelizmente, sim. Levou-me um dos álbuns mais valiosos com moedas romanas que eu tinha recebido ontem mesmo e que estava ainda aqui em cima do balcão e, que era para ser arrumado hoje, quando catalogadas as moedas. Não deixa de ser um grande transtorno para mim, pese embora o facto de já as ter segurado, ontem mesmo, quando as recebi, como habitualmente o faço com a mercadoria mais valiosa.

Sim, e enquanto avalia o seu prejuízo, ou seja, neste caso, o produto do roubo? Cerca de cinco mil euros, respondeu Zé Bastos. Foi mesmo muito azar comentou o Sargento Boaventura, olhando para Zé Bastos, mas como o seguro vai pagar-lhe tudo, melhor para si. Na verdade assim o espero e que não demore porque o negócio tem andado ultimamente mesmo muito mal.

Já o Inspector Alfama não estava tão confiante quanto Boaventura, pelo  que olhando de frente e bem na cara para Zé Bastos disse-lhe: Olhe, entretanto, vá-se vestindo para me acompanhar à Esquadra, pois temos de registar a ocorrência.

Vai levantar um auto, diz Zé Bastos? Sim, isso também.

Também? O que é que quer dizer com isso? Perguntou Zé Bastos,  cuja voz enrouquecera, agora, subitamente.

É que também temos de tomar nota das aldrabices que nos quis impingir, tendo o valor do seguro que pensaria receber, na mente.

Foi tal o susto de Zé Bastos que os óculos lhes escorregaram pelo nariz abaixo. Com um gesto nervoso ele tirou-os e começou a limpá-los a uma ponta do roupão.

Mas…, mas o que é isso? Que brincadeira é essa? Eu vou queixar-me de si aos seus superiores disse Zé Bastos.

O Inspector Alfama fez um sorriso. Para quê, se pretendia enganar a Polícia e depois a Seguradora? É isso mesmo que vai esclarecer no auto.

 

Pergunta-se :

Quais os motivos que teriam levado o Inspector Alfama a duvidar das declarações do comerciante Zé Bastos, convicto de que tudo não passara de uma encenação deste para receber o dinheiro do seguro?!

 

NOTA FINAL :

Os projectos de solução a este problema, deverão ser enviados impreterivelmente até ás 24h00 de 30 de Abril de 2025 :

 

via electrónica ( WEB ), para o endereço de e-mail :

viroli@sapo.pt

 

ou

 

por via Postal ( CTT ) para :

Luís Manuel Felizardo Rodrigues ( O Gráfico ) , Praceta Bartolomeu Constantino n.º 14 – 2.º esq.º FEIJÓ

2810 – 032 ALMADA .

quarta-feira, 2 de abril de 2025

A Página dos Enigmas nº 76

 



Eis a solução do problema nº 3.  Depois de amanhã serão publicados alguns comentários.

Solução:

Dos vários elementos apresentados, poderão retirar-se algumas conclusões.

1 – O disparo foi feito com o cano da arma encostado à fronte.

O sinal de boca de mina de Hoffmann, nome dado às marcas do ferimento descrito no texto para a entrada do projétil, é característico do disparo encostado ao corpo, quando por baixo da pele está uma superfície óssea. Esta marca é uma consequência de haver uma explosão junto à pele para fora, gerando uma lesão com bordas irregulares, invertidas, ou seja, voltadas para fora, com uma impregnação centralizada de pólvora.

2 –

a) A arma estava horizontal.

Se o trajeto foi horizontal, de acordo com a opinião técnica, com os orifícios de entrada e de saída à mesma altura, assim como impacto do projétil na parede, a arma teria que estar horizontal e alinhada com a trajetória do projétil.

b) Para que um individuo de um metro e setenta fosse alvejado horizontalmente na fronte, com a arma encostada ao local que sofreu o disparo, estando de pé, de acordo com a informação do texto, o assassino teria que ser mais alto que ele. Se fosse mais baixo, o cano teria ficado ligeiramente virado para cima.

3 – Ficam assim dois suspeitos, mais altos do que a vítima: Hans e Campbell.

4 – a) A carta só poderia ter sido escrita por um alemão, não por um natural dos Estados Unidos. Este escreveria biliões. Três mil milhões é o termo que deveria ser usado pelos alemães, europeus, e que descreve o mesmo número, 3 000 000 000, que o habitante dos Estados Unidos escreveria como 3 biliões. Na Europa é que se usa a designação, em alguns países, mil milhões. O termo bilião poderia ser usado por um europeu, mas o termo mil milhões, nunca seria usada por um norte-americano.

b) Em Tribunal foi demonstrado que o assassino não pretendia simular que a carta tivesse sido escrita por outra pessoa, por isso não poderia ser o suspeito dos Estados Unidos, Campbell, a escrevê-la.

5- Concluindo, o assassino foi Hans, e será isso que o relatório do polícia responsável pelo caso terá indicado.

 

Nota

Todo o processo de resolução poderá partir da carta, identificando

 os  dois alemães como suspeitos  e depois fazer-se a eliminação do 

alemão  mais baixo.

 

Critérios de Classificação

1 – 1 ponto

2 a) – 1 ponto

   b)  – 1 ponto

3 – 1 ponto

4 a)   1 ponto

   b)   1ponto

5 – 1 ponto

Presença ­– 3 pontos


Segue-se a lista dos 55 concorrentes que enviaram solução. Se 

alguém  enviou e não faz parte desta lista, que entre em contacto através do  e-mail  apaginadosenigmas@gmail.com

Ana Marques

Arjacasa

Arnes

Bernie Leceiro

Búfalos Associados

CA7

Carlos Caria

Carluxa

Clovis

CN13

Columbo

Detective Caracoleta

Detective Jeremias

Detective Kivee

Detective Silva

Detective Suricata

Detective Vasofe

Detective Verdinha

Detectivesca

Dona Sopas

Edomar

Ego

Faria

Fátima Pereira

Fotocópia

Haka Crimes

Inspector Aranha

Inspector Cláudio

Inspector Detective

Inspector Mokada

Inspector Moscardo

Inspector Mucaba

Inspector Pevides

Inspector Ryckyi

Inspectora Sardinha

Joel Trigueiro

Jorrod

Mali

Mancha Negra

Mandrake Mágico

Margareth

Molécula

Mula Velha

O Pegadas

Pedro Monteiro

Pintinha

Rainha Katya

Ribeiro de Carvalho

Sandra Ribeiro

Sofia Ribeiro

Vic Key

Visconde das Devesas

Visigodo

ZAB

Zé Alguém