sábado, 7 de fevereiro de 2026

A Página dos Enigmas nº 223

 




Publicam-se agora a solução do primeiro problema dos Torneio de Fórmula 1 Policiária e Torneio Paralelo de Homenagem à Geração de 70 e os resultados respetivos.


No Café Central


Solução.

A ação do roubo passa-se em Lisboa, porque o texto diz que é na capital do país,  em 1980, no dia a seguir a 12 de junho, porque é o dia de aniversário do João Rebelo, que é o mesmo do José Rabaça.

No texto diz que é junho e refere, também o texto, que o aniversário é no dia 12.

A data a seguir ao aniversário do João Rebelo, ou seja, depois do dia 12 de junho, é 13 de junho.

Este dia, 13 de junho, é feriado municipal em Lisboa, com todos os bancos encerrados neste concelho. O roubo, a acontecer, nunca poderia ser nesse dia.


Critérios de Classificação

- Indica o dia 12 de junho, como o do aniversário do Rabaça. – 1 ponto.

- Justifica que Rabaça nasceu em 12 de junho. – 2 ponto.

- Indica o dia de assalto, como 13 de junho de 1980. – 1 ponto.

- Justifica que o assalto foi nessa data. – 1 ponto.

- Indica 13 de junho, como sendo o feriado municipal de Lisboa. – 1 ponto.

- Indica que nesse dia os bancos estiveram encerrados em Lisboa, e que por isso não era possível que tivesse ocorrido aquele assalto. – 2 pontos.

- Presença – 2 pontos.


Comentário.

Houve quem visse que era impossível ter acontecido o assalto no dia 13 de junho, mas a justificação falhou alguns pormenores. Veja-se  nos critérios de classificação o que era necessário justificar.

A "chave" deste problema já tinha sido usada outras vezes, pelo que pensei ser fácil, ainda para mais, tratando-se do feriado municipal de Lisboa. Infelizmente houve quem falhasse  a "chave".

Um dos pormenores "óbvios", que alguns falharam, foi  a falta de justificação do dia 13 para dia do assalto. Bastaria dizer que é no dia a seguir a dia 12, dia do aniversário. Como a seguir a 12 vem 13, então...

Foi referida por outros solucionistas uma  situação que não está na solução oficial. A instabilidade meteorológica não permitiria um dia de calor a 13 de junho de 2023.

Onde fica Penedio? É um local de ficção e não há nenhuma indicação se fica no Algarve ou no interior de Trás-os-Montes. Não se pode afirmar, por isso, com a certeza absoluta, a impossibilidade de existir a temperatura elevada. 

Mas, mesmo que isso fosse verdade,  a instabilidade meteorológica, não tinha implicação com o facto de 13 de junho ser o feriado municipal de Lisboa.

Também, e isto vem a propósito do que alguns concorrentes escreveram, não me parece ser necessária qualquer vitória para que os adeptos de um clube digam: "Somos os maiores", embora, no caso, na época 2022/23 o Benfica tenha sido o vencedor do campeonato nacional de futebol masculino.


Vamos às classificações


Torneio de Fórmula 1 Policiária 

Grande Prémio de Lisboa


Melhores Soluções (Classificação Final do Grande Prémio)

O Gráfico -25 pontos

Detective Jeremias -18 pontos

Búfalos Associados -15 pontos

Detective Verdinha -12 pontos

Inspector Aranha -10 pontos

Bernie Leceiro - 8 pontos

Fotocópia - 6 pontos

Mali - 4 pontos

Pintinha -2 pontos

Nubis - 1 ponto


Corrida Sprint (Solução Mais Rápida a Chegar)

O Gráfico - 8 pontos

O Pegadas - 7 pontos

Mandrake Mágico - 6 pontos

Bernie Leceiro - 5 pontos

Veni Vidi Vici - 4 pontos

Robert Strike - 3 pontos

Super Heróis do Policiário - 2 pontos

Lisbonense - 1 ponto


Solução Mais Curta (Volta Mais Rápida)

Pintinha


Classificação Geral do Torneio Fórmula 1 Policiária

1º lugar - O Gráfico - 33 pontos

2º lugar - Detective Jeremias - 18 pontos

3º lugar - Búfalos Associados - 15 pontos

4º lugar - Bernie Leceiro - 13 pontos

5º lugar - Detective Verdinha - 12 pontos

6º lugar - Inspector Aranha - 10 pontos

7º lugar - O Pegadas - 7 pontos

8º lugar - Mandrake Mágico - 6 pontos

9º lugar - Fotocópia - 6 pontos

10º lugar - Veni Vidi Vici - 4 pontos

11º lugar - Mali - 4 pontos

12º lugar - Robert Strike - 3 pontos

13º lugar - Pintinha - 3 pontos

14º lugar - Super Heróis do Policiário - 2 pontos

15º lugar - Lisbonense - 1 pontos

16º lugar - Nubis - 1 ponto


Torneio Paralelo de Homenagem à Geração de 70


Classificação no Problema

10 pontos

Bernie Leceiro, Búfalos Associados,  Detective Verdinha, Detective Jeremias, Detetive Lurma, Detetive Rui, Ego, Faria, Fotocópia, Inspector Aranha, Inspector Moscardo, Lisbonense, Mali, Mandrake Mágico, Nubis, O Gráfico, O Pegadas, Os Super Heróis do Policiário, Pintinha, Robert Strike, Vasco Ribeiro, Veni Vidi Vici. (22 concorrentes.)

9 Pontos

Clóvis, CSSPS e Karl Marques. (3 concorrentes.)

Com 8 pontos

Háspide, Inspector 27797, Inspector Pevides, Tiago Reis e Zaida. (5 concorrentes.)

Com 7 pontos

Columbo, Detective Alberto, Inspetor Boavida e Menino Nelito. (4 concorrentes.)

Com 6 pontos

Alma Gentil, Inspectrice, Kali Mero e Xá do Reino. (4 concorrentes.)

Com 5 pontos

Detective Rosa, Doula, Guilherme, Poluidora e Rosa Marques. (5 concorrentes.)

Com 4 pontos

Detetivesca, Edomar e Virmancaroli. (3 concorrentes.)

Com 3 pontos

Inspectora Marta e Romualda Resmungona. (2 concorrentes)

Com 2 pontos

Bertita e Cris. (2 concorrentes.)

Total de concorrentes: 50


As Melhores

O Gráfico - 5 pontos

Detective Jeremias  - 4 pontos

Búfalos Associados   - 3 pontos

Detective Verdinha -  2 pontos

Inspector Aranha  - 1 ponto


As Mais Originais

O Gráfico - 5 pontos

Bernie Leceiro - 4 pontos

Inspector 27797   - 3 pontos

Inspector Moscardo 2 pontos

Detective Jeremias - 1 ponto


Classificação Geral

1º lugar -  O Gráfico - 10 Pontos

2º lugar - Detective Jeremias - 10 Pontos

3º lugar - Búfalos Associados - 10 Pontos

4º lugar - Detective Verdinha - 10 Pontos

5º lugar - Inspector Aranha - 10 Pontos

6º lugar - Bernie Leceiro - 10 Pontos

7º lugar - Inspector Moscardo - 10 Pontos

8º lugar - Pintinha - 10 Pontos

9º lugar - Mandrake Mágico - 10 Pontos

10º lugar - Os Super Heróis do Policiário - 10 Pontos

11º lugar - O Pegadas - 10 Pontos

12º lugar - Faria - 10 Pontos

13º lugar - Mali - 10 Pontos

14º lugar - Ego - 10 Pontos

15º lugar - Veni Vidi Vici - 10 Pontos

16º lugar - Detetive Lurma - 10 Pontos

17º lugar - Robert Strike - 10 Pontos

18º lugar - Lisbonense - 10 Pontos

19º lugar - Fotocópia - 10 Pontos

20º lugar - Nubis - 10 Pontos

21º lugar - Detetive Rui - 10 Pontos

22º lugar - Vasco Ribeiro - 10 Pontos

23º lugar - Clóvis - 9 Pontos

24º lugar - Karl Marques - 9 Pontos

25º lugar - CSSPS - 9 Pontos

26 lugar - Inspector 27797 - 8 Pontos

27º lugar - Inspector Pevides - 8 Pontos

28º lugar - Zaida - 8 Pontos

29º lugar - Háspide - 8 Pontos

30º lugar - Tiago Reis - 8 Pontos

31º lugar - Inspetor Boavida - 7 Pontos

32º lugar - Columbo - 7 Pontos

33º lugar - Detective Alberto - 7 Pontos

34º lugar - Menino Nelito -7 Pontos

35º lugar - Inspectrice - 6 Pontos

36º lugar - Alma Gentil - 6 Pontos

37º lugar - Kali Mero - 6 Pontos

38º lugar - Xá do Reino - 6 Pontos

39º lugar - Rosa Marques - 5 Pontos

40º lugar - Poluidora - 5 Pontos

41º lugar - Doula - 5 Pontos

42º lugar - Detective Rosa - 5 Pontos

43º lugar - Guilherme - 5 Pontos

44º lugar - Detetivesca - 4 Pontos

45º lugar - Virmancaroli - 4 Pontos

46º lugar - Edomar - 4 Pontos

47º lugar - Romualda Resmungona - 3 Pontos

48º lugar - Inspectora Marta - 3 Pontos

49º lugar - Bertita - 2 Pontos

50º lugar - Cris - 2 Pontos


No final do primeiro problema a Classificação de As Melhores e de As Mais Originais coincidem com as do problema.

Vamos aguardar a publicação do problema nº 2 para ver se traz alterações nas classificações.

 


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

A Página dos Enigmas nº 222

 

Os inícios - 007



Esse livro é o número 1 em duas perspetivas. É  o episódio inicial da série 007, e o primeiro livro desta coleção  da Portugália Editora, publicado em 1965.

Como curiosidade, acrescente-se que este livro foi para mim uma oferta de Raul Ribeiro, um policiarista que surgiu em Mistério Policiário.


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

A Página dos Enigmas nº 221



Autora - Craig Rice


Craig Rice é o pseudónimo da autora americana Georgiana Ann Randolph Craig que nasceu em 1908 e faleceu em 1957.

Publicou a sua primeira novela, 8 Faces at 3, em 1939.

Foi a única, de entre os autores da literatura policial, a ter a honra de ser capa da revista TIME, em Janeiro de 1946.

A sua principal personagem é o advogado John J. Malone, surgido logo na sua primeira novela, residente na cidade de Chicago dos anos 30, e que faz equipa com o casal Jake e Helen Justus.

Outra dupla criada por si é Bingo Riggs e Handsome Kusak, que surgiram em 1942 no livro The Sunday Pigeon Murders. A última aventura destas duas personagens foi terminada por Ed McBain.

Craig Rice escreveu vários contos e novelas em parceria com Stuart Parlmer, criador de Miss Hildegarde Withers, que foram publicados em livro, em 1963, sob o título People vs. Withers and Malone.

Escrevendo numa época em que a literatura policial americana era dominada estilisticamente por Raymond Chandler e Dashiell Hammett, o estilo de Craig Rice está mais próximo do de Ellery Queen, do que destes dois autores, fugindo desta forma às características do policial negro. 

Craig Rice teve uma vida atribulada por divórcios e problemas com álcool, tendo vindo a morrer devido a uma dose excessiva de medicamentos ingeridos com bebidas alcoólicas.

Aqui ficam algumas das suas obras, naquilo que não é uma lista exaustiva.

São os livros que foi possível encontrar publicados em Portugal, através do site da Biblioteca Nacional, e contos, na revista que é a versão brasileira da Ellery Queen’s Mystery Magazine

 

Livros

Trial by Fury (1941); Crime no tribunal.

Having a Wonderful Crime (1943); O Crime também diverte.

Home Sweet Homicide (1944); Cilada triangular.

My Kingdom for a Hearse (1957); O meu reino por um túmulo.

 

Contos

Os assassinos sem sorte, The bad luck murders, 1943.

Seu coração pode partir-se, His Heart Could Break, 1943.

Adeus, Adeus; Goodbye, Goodbye!, 1946.

Certa vez, num trem, Once Upon a Train, 1950.

Adeus para sempre, Goodbye Forever, 1951.

As gravatas pintadas à mão, Cherchez la Frame,1951  (com Stuart Palmer).

E os pássaros ainda cantam, And the Birds Still Sing, 1952.

O homem que engoliu um cavalo, The Man Who Swallowed a Horse, 1953.

Malone e a arma desaparecida, The little knife that wasn't there, 1954.

Além da sombra de um sonho, Beyond the Shadow of a Dream, 1955.

Drink misterioso, Shot in the Dark, 1955.

Withers e malone - num entrechoque de ideias, Withers and Malone, Brain-Stormers, 1959 (póstumo).

Withers e Malone; Withers and Malone, Crime-Busters, 1963 (póstumo).



segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

A Página dos Enigmas nº 217

 


Esta postagem vem a propósito da tempestade que assolou parte do país deixando algumas zonas de Portugal sem acesso a energia. Quem estiver nesta situação e ainda não tenha enviado a solução do problema nº 1 do Torneio de Fórmula 1 Policiária e Torneio Paralelo de Homenagem à Geração de 70, poderá referir-me o seu caso, enviando a resposta até às zero horas do dia 7 de fevereiro, quando a solução será divulgada. Embora o seu nome possa não ser publicado nesse dia, será mais tarde colocado com a classificação obtida.

Publicação inicial em 29 de janeiro.


A Página dos Enigmas nº 220

 


Este conto foi publicado originalmente no XYZ Magazine, número 29. O seu autor, António Breda Carvalho é hoje um escritor plenamente reconhecido, não chegando ainda aos 30 anos na época em que o conto foi publicado.

Antes de seguir as lides literárias A. Breda Carvalho andou pelo policiarismo, publicando, pelo menos, um problema em 1987 na seção Sábado Policiário do jornal Diário Popular.


Morte no cais

Autor: António Breda Carvalho


Naquela noite o cais era tranquilidade e escuridão. Os barcos quase quietos, dormitavam despreocupados. Só lá ao longe, no fim da doca, um candeeiro emanava uma fraca luz de presença. Num certo ponto da doca, três homens de pé, tácitos, olhavam para o mar.

— Que raio! — exclamou baixinho um dos homens.— Se ao menos pudéssemos fumar. — Chiu! — interrompeu outro. — Sinto alguém aproximar-se.

Calaram-se.

Lentamente, um vulto ia emergindo da escuridão. Deu mais alguns passos, e parou:

— Está aí alguém? — perguntou sussurrando.

— Até as gaivotas voam… — responderam do grupo.

— Se não lhes cortarem as asas — concluiu o recém-chegado

— É ele! — concordaram no grupo.

— Trazes a mercadoria?

— Está no “Boa Esperança”.

— Então, vamos ao negócio.

Caminharam ao longo do cais. Habituados à escuridão, as feições dos homens e os seus movimentos, tornavam-se mais reconhecíveis.

— Eh!, alto aí, seu canalha! — bradou um do grupo apontando uma arma ao visitante.— Você não é o “Sobe e Desce”. Ele é coxo e você anda corretamente.

— E daí? — interrogou com naturalidade o interpelado.— Foi substituído por mim. Não houve tempo para vos avisar.

— Não me levas com essa. Conheço todos os elementos da organização, e a tua cara é a primeira vez que a vejo. Pensavas que estavas protegido pela escuridão, não era?

— Ora, não sejam loucos. Venham ver…

Não acabou a frase. Alguém aproximara-se pelas costas, e cravou-lhe um punhal.

— Que fazemos com este tipo?

— Espera. Está aqui um bote amarrado ao cais. Deitamo-lo lá dentro e largamos o bote. Como a maré está a vazar, levá-lo-á para o mar alto. Se alguém o encontrar nunca o relacionará com este local.

— Apoiado. Mãos à obra.

— E a droga?

— Ainda acreditas nisso? Era uma cilada para nos encurralar no pesqueiro.

E afastaram-se rápidos.

Caminho cauteloso pela doca. Tudo é silêncio e escuridão. Apenas o soluçar das águas quebradas se fazem ouvir na noite. Avança alguns metros e… silêncio. Um silêncio que começa a causar-me preocupação.

Estou agora no local combinado. De novo, silêncio, água e os espectros de alguns barcos pesqueiros ao longe, balançando docemente, como encantados por não haver faina nessa noite.

Não. Não era só silêncio que eu esperava encontrar. Isto é presságio de que algo correu mal. Sim, a esta hora, três da manhã, com um silêncio perturbador, só duas coisa poderiam ter acontecido: ou a operação ainda não se realizou, mas neste caso deveria encontrar-se aqui o meu colega de ofício, o que não acontece, ou então, a operação efetuou-se mais cedo e ele foi descoberto. Se isto aconteceu, nem quero acreditar. Estava tudo planeado até ao mais ínfimo pormenor. De repente, lá vem o último telex: o intermediário é coxo. Não, não acredito nesse desfecho.

Continuo andando. Agora sinto a água mais agitada, num dos lados da doca. Curioso, abeiro-me da margem do cais. Está escuro. Num gesto rápido, acendo a lanterna.

Surpresa!!

Um bote dançava desgovernado. A corda que servira de amarra, mergulhava verticalmente na água. Não perco tempo. Procuro uma vara com a extremidade em foice, própria para puxar embarcações.

Sei que costuma haver algumas nestes sítios. Puxo o bote de encontro ao cais. Salto para dentro e tento puxar a corda que está presa ao fundo. Acendo novamente a lanterna. Um fogacho de luz ilumina o interior do bote, ao mesmo tempo que solto uma exclamação. Reconheço a letra do meu colega. Uma das tábuas dizia o seguinte: “os traficantes são cadastrados. Os códigos são: 33A, 4B1 e Z24E.

Intuitivamente puxo com força a corda, que vai cedendo a pouco e pouco. Tristemente, já adivinho o que vau encontrar: o corpo do meu colega.

É verdade!

“Malditos”, pensei.

Descobri o golpe nas costas. Compreendi tudo.

O meu amigo sentindo a morte aproximar-se, e sabendo que o bote se afastava devido à baixa-mar, atou à corda uma barra de chumbo que estava no bote, e utilizando a mesma corda, atou-a de seguida à perna, e atirou-se à água. Servira de âncora.