quarta-feira, 10 de junho de 2026

A página dos Enigmas nº 300


Temos, de seguida, a publicação do problema nº 6  dos Torneio de Fórmula 1 Policiária e Torneio Paralelo de Homenagem à Geração de 70.

Hoje o "circo" da Fórmula 1 Policiária vai até ao Alentejo para o Grande Prémio de Évora, onde marcaram e ainda marcam presença vários policiaristas.

O problema  de hoje é de descoberta de um código, não parecendo muito difícil, mas exigindo alguma pesquisa.

É um problema de procura de uma mensagem, que se pode obter pela análise do texto.

Este género de problemas, com este tipo de chave, não é dos mus favoritos, mas, num torneio tão longo, tem o seu lugar.

Esperemos pela classificação para ver se há surpresas desagradáveis. Penso que não, que o problema é fácil, mas, a  minha experiência também me mostra a falibilidade das minhas expectativas. 

Só há um motivo para eu considerar que pode ser criada alguma dificuldade. A IA não conseguiu resolver, embora a falha cometida  tivesse sido facilmente detetada.

Basta ter atenção ao que está escrito.

Torneio de Fórmula 1 Policiária 

Grande Prémio do Évora

Torneio Paralelo de Homenagem à Geração de 70

Problema nº 6

O segredo do cofre

de Paulo

A senhora Rosalinda Clara de Azevedo Cunha Serôdio faleceu no dia 23 de abril de 2021, exatamente dois dias depois de completar o seu nonagésimo terceiro aniversário.

Tinha cinco filhos e treze netos. Os filhos eram os herdeiros que deveriam partilhar entre si a herança, mas entre os pertences da senhora Rosalinda havia um cofre, que ninguém sabia abrir, por não se conhecer o código numérico que permitia a sua abertura.

Tinha, também, dois anos antes de morrer, e quando sabia que uma doença fatal a levaria, sem possibilidade de cura, deixado uma carta lacrada ao filho mais novo, Leopoldo.

Todos juntos, filhos, filhas, noras, genros, netos e netas, estavam reunidos para procederem à abertura da carta, que foi lida por Leopoldo.

“ Minhas queridas e meus queridos,

quando lerem estas palavras já terei falecido e espero não estar a contribuir para o aumento da tristeza que sei que estarão a sentir. Queria falar-vos do meu cofre. Aquele que está na parede da sala e de que só eu sei o segredo. Não contém nenhuma fortuna. Apenas tem fotografias da família. Todas as que eu consegui juntar, algumas ainda do século XIX. Não o incluam nos bens que irão repartir. Façam com que a pessoa que descubra o segredo, que é um conjunto de quatro algarismos, fique com o seu conteúdo, nem que seja um neto ou uma neta. É só isto que eu vos peço, eu que não sei em que data irei morrer, que é algo que ninguém sabe, mas sei que será breve. Apenas tenho a certeza do ano em que nasci.

O segredo do cofre encontra-se aqui nesta carta. Em mais nenhum local. Todos os elementos poderão e deverão ser retirados desta missiva.

Não é bem verdade que dentro do cofre estejam só fotografias. Também lá esta a minha obra literária favorita, com uma dedicatória feita pelo autor. A minha obra literária favorita é aquela em que José Saramago descreve o percurso do senhor doutor Reis, de Lídia e de Marcenda. Meus queridos e minhas queridas, não interessa para nada o ano em que Saramago escreveu esta maravilhosa obra-prima, que relata o ser e o caráter do povo português quando eu ainda era uma criança.

Relembro ainda as muitas vezes que desci os degraus da escada para a rua, que já sofreram algumas alterações desde a sua construção, que agora está em obras e nem sei como irá ficar. Não consigo imaginar quantos degraus terá. Provavelmente não terá importância, porque também não sei se ainda os descerei mais alguma vez, depois de ter escrito esta missiva.

Não esqueço, porque nunca esqueci, também uma pessoa que as minhas netas e os meus netos não conheceram e que só puderam ver através de fotografias: o vosso avô Gilberto, que faleceu na operação Mar Verde. Embora nunca surgisse nos números oficiais, eu sei que o Gilberto lá estava, porque ele me disse que iria estar.

Depois, existem os dias maravilhosos que passei com todos vocês, desde o meu filho mais velho até à minha neta mais novinha.

O importante não é cada um dos momentos, é o todo no seu conjunto. A soma de todos, tal como é esse o caminho para a chave do cofre, em que cada parcela tem o mesmo número de algarismos do resultado final.

Façam o que eu vos peço: quem descobrir o segredo que estas palavras contêm, que fique com o conteúdo do cofre.

A  mãe e avó que sempre vos amou

Rosalinda."

Não demorou muito até que um dos netos apresentasse os quatro números que permitiam abrir o cofre.

Qual era esse conjunto de números e como foi descoberto?

As soluções  devem ser entregues pelos seguintes meio, até às 24 horas do dia 30 de junho:

 a - enviadas pelo correio eletrónico de A Página dos Enigmas: apaginadosenigmas@gmail.com;

 b - entregando em mão ao orientador do Blogue A Página dos Enigmas, onde quer que o encontrem;

 c - por correio, através do endereço postal Paulo Pereira Viegas / Rua Ferreira de Castro, lote 21 / 3505-570 Viseu.


terça-feira, 9 de junho de 2026

A Página dos Enigmas nº 299

 



Foram dois em um. Desta vez é relembrado o I.o Grande Torneio de Fórmula Um Policiária e Torneio Paralelo de Homenagem a Jartur,  O Torneio de Fórmula 1 não permitia que todos os concorrentes pontuassem. Cada problema correspondia a um Grande Prémio com apenas 6 concorrentes a pontuar, com as melhores soluções. Deste modo, todos somavam os pontos para o Torneio de Homenagem a Jartur. Deve referir-se que as regras do Campeonato de Fórmula 1 eram, na época, diferentes dos atuais, e era com base nessas regras que o campeonato policiário era disputado.


Problema 1, Mais uma morte, de Jersil, em janeiro de 1980.

Elementos da solução.

Contradição das declarações com o cenário

Técnica criminalística: disparos

 

Problema 2, Os ciganos, a burra e o morto, de Zé Chery, em fevereiro de 1980.

Elementos da solução.

Contradição entre as declarações e o cenário.

Conhecimento impossível de alguns factos

  

Problema 3, Évora, 14.10.79, de O Gráfico, em março de 1980.

Elementos da solução.

Contradições entre as declarações e os factos reais.

 

Problema 4, Um espirito meticuloso, de Mike Hammer, em abril de 1980.

Elementos da solução.

Análise dos pormenores, somando-os e chegando à solução correta.

 

Problema 5, Um crime na aldeia, de Jotelmar, em maio de 1980.

Elementos da solução.

Junção de vários pormenores, inferindo a solução final.

Técnica criminal: disparos

 

Problema 6, A morte do fotonovelista, de Marvel, e, novembro de 1980.

Elementos da solução.

Junção de vários pormenores que permitem inferir a solução.

 

Classificações

 

Fórmula 1

1º Raul Ribeiro, 31 pontos

2º L.P.,  28 pontos

3º Detective Invisível, 15 pontos

4º Durandal/Angélica,  14 pontos

5º Jolly Jumper,  12 pontos

 

Torneio Paralelo de Homenagem a Jartur

Torneio Jartur

1º Durandal/Angélica, 56 pontos

2º Raul Ribeiro, 56 pontos

3º Detective Invisível, 56 pontos

4º Big Ben e Detective Misterioso, 56 pontos.

 

Originalidade

1º L.P., 20 pontos

2º Angélica/Durandal, 13 pontos

3º O Gráfico, 10 pontos


segunda-feira, 8 de junho de 2026

A Página dos Enigmas nº 298

 

Secções Policiárias: "Desafio Ao Leitor" em Jornal do Cuto



Nem só de secções duradouras se fez o policiário em Portugal. Desafio ao leitor foi uma secção de curta duração. Teve início em 1/6/77 e fim em 1/2/78, com periodicidade mensal. Apresentava-se no “Jornal do Cuto”, uma revista de banda desenhada da década de setenta. Foram publicados 8 problemas, todos da autoria de Edgar Caygill, que também orientava  a secção. Edgar Caygill era o pseudónimo de Roussado Pinto, director do “Jornal”.

Os problemas eram todos muito simples, geralmente baseados numa contradição emergente das declarações de um dos suspeitos. Apenas num dos problemas se seguia o método da eliminação dos suspeitos até chegar ao criminoso verdadeiro. Não tendo como objetivo fazer torneios, em que pela regularidade se determinaria o melhor solucionista, a facilidade dos problemas era perfeitamente justificada, permitindo a um grande número de concorrentes acertar na solução.

Paul Justice, jornalista especializado em criminologia, e o inspector Sam “Sixkiller”, eram as personagens intervenientes em todos os problemas publicados.

O problema  “A morte de Mr Richmond” foi acompanhado com desenhos de Vítor Peon.

Eis a lista dos problemas publicados, data da publicação e número de concorrentes.

Data da publicação

Problema

Nº de concorrentes

1/6/77

O roubo do banco

203

1/7/77

O rapto do bebé

179

(103 acertaram)

1/8/77

Um carro dentro do rio

165

(97 acertaram)

1/9/77

Um crime na noite

350

(263 acertaram)

1/10/77

Quem matou John Soil

147

(5 acertaram)

1/11/77

A morte do professor Burke

169

(113 acertaram)

1/12/77

A morte de Mr Richmond

164

(89 acertaram)

1/1/78

O caso do industrial mundano

23 (5 acertaram)

O número de concorrentes pode considerar-se com um valor bastante aceitável, comparando com as outras secções que, ao tempo, existiam espalhadas por várias revistas.

O problema “Um crime na noite” tem um número de solucionistas muito acima do habitual. Não é de excluir uma gralha tipográfica.

O reduzido número de concorrentes no último problema poderá ficar a dever-se ao fim da revista. A revista de 1/2/78 foi a última, pelo que, nesse último número, em que foram publicadas todas as soluções atrasadas, também foi publicada a solução do problema publicado no número anterior. Obviamente que no momento em que terá sido enviado para publicação o derradeiro número, teriam ainda chegado poucas soluções