Vamos à publicação do problema nº 4 dos Torneio de Fórmula 1 Policiária e Torneio Paralelo de Homenagem à Geração de 70.
Desta vez, será o Grande Prémio do Montijo, homenageando os muito policiaristas desta zona.
Torneio de Fórmula 1 Policiária
Grande Prémio do Montijo
Torneio Paralelo de Homenagem à Geração de 70
Problema nº 4
A esposa estrangulada
de Paulo
Estava
eu sossegado em casa, após mais um dia de trabalho, quando o meu vizinho me
bateu à porta, porque sabia que eu era da Judiciária, como ele me disse.
Com ar
muito aflito, referiu-me que a sua esposa estava morta no quarto, que pretendia
que eu lá fosse o mais rápido possível, e que depois eu chamasse a polícia.
Aqui
para nós, ele já tinha feito isso, porque eu era polícia, mas eu percebia o que
ele queria dizer.
Chovia
bastante, e lá fomos aqueles poucos metros entre as duas casas, a correr para
fugir daquela chuva persistente que se mantinha desde o início da tarde.
Considerando que começava a anoitecer, eram já muitas horas de chuva
ininterrupta.
Era uma
vivenda geminada. Entrámos pela porta principal, que deixou ver uma sala e
cozinha perfeitamente arrumadas, e levou-me ao andar de cima, ao local onde estava
o corpo da esposa, ou seja, o quarto onde dormiam.
O
quarto estava em total desordem. Era perfeitamente visível que tinha ali
existido uma luta que atirara ao chão vários objetos, arrepanhara as roupas da
cama e terminara com a morte da esposa do meu vizinho. Antes que me esqueça, o
meu vizinho, que ficou viúvo, chama-se Alfredo, e a esposa, ou ex-esposa, dava
pelo nome de Ermelinda.
Eram
visíveis as marcas que os dedos tinham deixado em redor do pescoço da vítima.
Era óbvio que alguém apertara fortemente aquele pescoço, e isso provocara a
morte. O médico esclareceria se fora por asfixia, ou se o aperto das carótidas
roubara o sangue do cérebro. Era muito cedo para tirar conclusões.
Não se
viam ferimentos no corpo.
— Encontrei-a assim, quando cheguei, há
poucos minutos. Parece-me que foi um assalto. Ela chegou a casa mais cedo do
que seria normal e encontrou alguém a roubar. Foi essa pessoa que a matou. — Dizia o meu vizinho,
repetindo várias vezes:
— Foi um ladrão!
Achei
que era altura de chamar os técnicos e telefonei para a sede, informando que já
me encontrava no local. Não era preciso vir muita gente. Bastavam os elementos
que tinham de fazer o levantamento dos dados periciais.
No
primeiro andar, havia mais dois quartos. Eram dos filhos, que se encontravam no
estrangeiro em Erasmus. Um na Letónia e outro na Eslováquia.
No
quarto de banho do casal, uma vistoria rápida não revelou qualquer elemento
anormal. As toalhas devidas estavam nos sítios corretos, tudo muito bem
arrumado. O mesmo se passava com o outro quarto de banho que, provavelmente,
seria usado pelos filhos, que como eles não estavam na casa, mantinha um ar
muito organizado.
Olhei
para o relógio e reparei que desde que chegara à casa teriam passado pouco mais
de 10 minutos.
Faltava-me
ver a garagem. Era necessário descer mais um piso, em relação à porta por onde
entrara, pois, para entrar nela, vindo da rua, era necessário descer uma pequena
rampa.
Na
garagem, que tinha uma porta, que dava para a rampa de acesso com as viaturas, e outra, por onde
eu viera, a uma escada pela qual se tinha acesso aos pisos superiores, nada
mais havia além de dois automóveis. O de Ermelinda estava à frente. O de
Alfredo estava atrás, junto à porta que dava para a rua, que funcionava por
ação de um motor elétrico.
Dei a
volta por detrás do carro de Alfredo, olhando o chão da garagem que tal como
toda a casa, com exceção do quarto de casal, tinha um aspeto exageradamente
limpo, sem nenhuma marca. Pousei a mão no capô do carro do meu vizinho e no da
esposa, verificando que os dois estavam frios, a temperaturas sensivelmente
iguais.
Voltei
a dar a volta e sai da garagem, por umas escadas que já descera antes e que
agora me conduziriam ao piso de entrada.
Os meus
colegas chegaram, mas eu já tinha algumas ideias sobre o que acontecera.
Pergunta-se:
Que
terá acontecido? Fundamente a resposta.
As soluções devem ser entregues pelos seguintes meio, até às 24 horas do dia 30 de abril:
a - por correio eletrónico de A Página dos Enigmas: apaginadosenigmas@gmail.com, enviando por email;
b - entregando em mão ao orientador do Blogue A Página dos Enigmas, onde quer que o encontrem;
c - por correio, através do endereço postal Paulo Pereira Viegas/ Rua Ferreira de Castro, lote 21/ 3505-570 Viseu.


