É um conto curo, estilo que não é muito cultivado, talvez devido ás dificuldades que apresenta na sua elaboração.
O fundo da estrada velha
Autor: António Serra
… As botas produziam um ruído
estranho ao pisarem o cascalho solto, do caminho que conduzia ao palheiro.
Tinha enfiado, à pressa, um casacão
que usava em noites de temporal, bem como umas botas de carneira já gastas pelo
correr dos anos. O frio misturado com a minha ânsia provocavam-me arrepios.
Acordara estremunhado com o ladrar
dos cães. Olhara a janela e vira qualquer coisa como um grande clarão seguido
dum som abafado, parecido como aquele que é produzido com o cair dum muro.
Seguia agora, quase que a trote, a
caminho do barracão. A noite estava clara.
Uma lua bem cheia inundava de
luminosidade todo o terreno de searas que me rodeava. A cerca de 20 metros
estaquei. Estava ofegante e o suor corria-me por todo o corpo. A pouco e pouco
recuperei o sangue frio. À medida que me ia aproximando via jorrar de dentro do
palheiro uma luz intensa… e o cheiro que chegava até mim era um cheiro a
queimado.
Não queria acreditar no que os meus
olhos acabavam de presenciar.
— Mas porquê eu… meu Deus?!... —
balbuciei.
Dei a volta e desatei a correr de
volta a casa. Peguei no telefone e disquei, o mais rápido que os meus dedos
podiam.
— Está?... Está lá por favor! — Sou
eu novamente — disse afogueado — é para trazerem um reboque que desta vez foi…
um camião TIR que me entrou pelo palheiro dentro!...


