T DE TERTÚLIA E DE TEIMOSIA...
Com
naturalidade, naquela época, o Sete de Espadas era o modelo a seguir, aquele
que nos abria os olhos para um novo passatempo e outro mundo, através de um
veículo que chegava a todo o país e que se chamava Mundo de Aventuras.
Há
que referir que estávamos em 1975, a democracia era ainda uma novidade e o país
era varrido por um desejo intenso de coisas novas, de algo que contrariasse o
analfabetismo e o “pensamento único”. Os jovens, muito jovens mesmo, procuravam
novidades, algo diferente daquilo a que estavam destinados antes do 25 de
Abril.
E
foi o Policiário que apareceu, numa revista de quadradinhos, com tiragens
gigantescas e que chegava a essa imensidão de “putos”, ávidos de muito mais do
que apenas histórias desenhadas.
E
foi assim que o Sete apareceu e juntou a uma legião de amantes do policial, que
já vinha de trás (veteranos), uma outra de futuros “viciados” nos enigmas
policiais (novos), agora identificados como “geração de 70”.
E,
praticamente do nada, apareceram as Tertúlias Policiárias, que se reuniam à
noite ou aos fins de semana e onde se falava de tudo e mais alguma coisa, se
discutiam os problemas policiários que marcavam as nossas agendas, se definiam
as datas e os “menus” dos convívios, afinal de contas, se cimentavam as
amizades que ainda hoje perduram...
Tertúlias
como a de Almada ou a do Palladium em Lisboa, onde se reuniam muitos confrades
em amenas ou agitadas sessões...
Mas
o Sete tinha coisas que não lembravam a ninguém! E uma teimosia sem limites, desde
logo com a fidelidade às soluções dos autores, que originavam situações que
agora seriam inimagináveis, de soluções erradas que serviam para classificar
problemas, subvertendo completamente a verdade das competições! Claro que não tocava
a todos, porque os “veteranos”, sabedores do modo de pensar do Sete, davam-lhe
as soluções requeridas, tipo “albardavam o burro à vontade do dono” e assim
levavam a água ao seu moinho! E nós, ainda mancebos nestas coisas,
arquitectavamos soluções muito completas e documentadas, que terminavam,
invariavelmente, nas menos pontuadas!
E
era escusado reclamar, porque se o autor dava aquela solução, para o Sete era
essa a única solução!
Imaginem
só o que eram aquelas reuniões de sábado à tarde, no Palladium, com “batalhões”
de contestatários a quererem fazer valer os seus direitos a uma classificação
justa!
Sempre
sem qualquer sucesso!
Luís
Pessoa
REUNIÃO
DA TERTÚLIA POLICIÁRIA DE ALMADA
19
DE OUTUBRO DE 1984
REUNIÃO
DA TERTULIA POLICIÁRIA DO PALLADIUM
ANOS
70




