segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

A Página dos Enigmas nº 217

 


Esta postagem vem a propósito da tempestade que assolou parte do país deixando algumas zonas de Portugal sem acesso a energia. Quem estiver nesta situação e ainda não tenha enviado a solução do problema nº 1 do Torneio de Fórmula 1 Policiária e Torneio Paralelo de Homenagem à Geração de 70, poderá referir-me o seu caso, enviando a resposta até às zero horas do dia 7 de fevereiro, quando a solução será divulgada. Embora o seu nome possa não ser publicado nesse dia, será mais tarde colocado com a classificação obtida.

Publicação inicial em 29 de janeiro.


A Página dos Enigmas nº 220

 


Este conto foi publicado originalmente no XYZ Magazine, número 29. O seu autor, António Breda Carvalho é hoje um escritor plenamente reconhecido, não chegando ainda aos 30 anos na época em que o conto foi publicado.

Antes de seguir as lides literárias A. Breda Carvalho andou pelo policiarismo, publicando, pelo menos, um problema em 1987 na seção Sábado Policiário do jornal Diário Popular.


Morte no cais

Autor: António Breda Carvalho


Naquela noite o cais era tranquilidade e escuridão. Os barcos quase quietos, dormitavam despreocupados. Só lá ao longe, no fim da doca, um candeeiro emanava uma fraca luz de presença. Num certo ponto da doca, três homens de pé, tácitos, olhavam para o mar.

— Que raio! — exclamou baixinho um dos homens.— Se ao menos pudéssemos fumar. — Chiu! — interrompeu outro. — Sinto alguém aproximar-se.

Calaram-se.

Lentamente, um vulto ia emergindo da escuridão. Deu mais alguns passos, e parou:

— Está aí alguém? — perguntou sussurrando.

— Até as gaivotas voam… — responderam do grupo.

— Se não lhes cortarem as asas — concluiu o recém-chegado

— É ele! — concordaram no grupo.

— Trazes a mercadoria?

— Está no “Boa Esperança”.

— Então, vamos ao negócio.

Caminharam ao longo do cais. Habituados à escuridão, as feições dos homens e os seus movimentos, tornavam-se mais reconhecíveis.

— Eh!, alto aí, seu canalha! — bradou um do grupo apontando uma arma ao visitante.— Você não é o “Sobe e Desce”. Ele é coxo e você anda corretamente.

— E daí? — interrogou com naturalidade o interpelado.— Foi substituído por mim. Não houve tempo para vos avisar.

— Não me levas com essa. Conheço todos os elementos da organização, e a tua cara é a primeira vez que a vejo. Pensavas que estavas protegido pela escuridão, não era?

— Ora, não sejam loucos. Venham ver…

Não acabou a frase. Alguém aproximara-se pelas costas, e cravou-lhe um punhal.

— Que fazemos com este tipo?

— Espera. Está aqui um bote amarrado ao cais. Deitamo-lo lá dentro e largamos o bote. Como a maré está a vazar, levá-lo-á para o mar alto. Se alguém o encontrar nunca o relacionará com este local.

— Apoiado. Mãos à obra.

— E a droga?

— Ainda acreditas nisso? Era uma cilada para nos encurralar no pesqueiro.

E afastaram-se rápidos.

Caminho cauteloso pela doca. Tudo é silêncio e escuridão. Apenas o soluçar das águas quebradas se fazem ouvir na noite. Avança alguns metros e… silêncio. Um silêncio que começa a causar-me preocupação.

Estou agora no local combinado. De novo, silêncio, água e os espectros de alguns barcos pesqueiros ao longe, balançando docemente, como encantados por não haver faina nessa noite.

Não. Não era só silêncio que eu esperava encontrar. Isto é presságio de que algo correu mal. Sim, a esta hora, três da manhã, com um silêncio perturbador, só duas coisa poderiam ter acontecido: ou a operação ainda não se realizou, mas neste caso deveria encontrar-se aqui o meu colega de ofício, o que não acontece, ou então, a operação efetuou-se mais cedo e ele foi descoberto. Se isto aconteceu, nem quero acreditar. Estava tudo planeado até ao mais ínfimo pormenor. De repente, lá vem o último telex: o intermediário é coxo. Não, não acredito nesse desfecho.

Continuo andando. Agora sinto a água mais agitada, num dos lados da doca. Curioso, abeiro-me da margem do cais. Está escuro. Num gesto rápido, acendo a lanterna.

Surpresa!!

Um bote dançava desgovernado. A corda que servira de amarra, mergulhava verticalmente na água. Não perco tempo. Procuro uma vara com a extremidade em foice, própria para puxar embarcações.

Sei que costuma haver algumas nestes sítios. Puxo o bote de encontro ao cais. Salto para dentro e tento puxar a corda que está presa ao fundo. Acendo novamente a lanterna. Um fogacho de luz ilumina o interior do bote, ao mesmo tempo que solto uma exclamação. Reconheço a letra do meu colega. Uma das tábuas dizia o seguinte: “os traficantes são cadastrados. Os códigos são: 33A, 4B1 e Z24E.

Intuitivamente puxo com força a corda, que vai cedendo a pouco e pouco. Tristemente, já adivinho o que vau encontrar: o corpo do meu colega.

É verdade!

“Malditos”, pensei.

Descobri o golpe nas costas. Compreendi tudo.

O meu amigo sentindo a morte aproximar-se, e sabendo que o bote se afastava devido à baixa-mar, atou à corda uma barra de chumbo que estava no bote, e utilizando a mesma corda, atou-a de seguida à perna, e atirou-se à água. Servira de âncora.



domingo, 1 de fevereiro de 2026

A Página dos Enigmas nº 219




 Notícias

Torneio Cinquentenário de “Mistério Policiário”

Chegou ao fim o Torneio Cinquentenário de Mistério Policiário. Com este certame, foi feita a comemoração dos 50 anos do início da secção Mistério Policiário da revista Mundo de Aventuras, que teve início em 13 de março de 1975.

Já  é conhecida a classificação final. A Detective Jeremias venceu a Classificação Geral e As Melhores, enquanto Mali, foi a vencedora de As Mais Originais, situação já previamente definida.

No que se refere à classificação dos autores do problemas publicados, classificação atribuída por Luís Pessoa e Big Ben, com Daniel falcão a atribuir o voto de desempate, o vencedor foi Bernie Leceiro.

Momento do Policiário

No blogue podem ler-se várias Rubricas: Momento de Humor, Video Sherlock Holmes, Desafios de Lógica,  Hora do Conto; De Regresso ao Passado e Problema Curto. São ainda publicados outros posts sobre questões de atualidade, curiosidades, problemas a concurso e elementos de técnica policial e criminalística.

Já  foi publicado o problema e a solução de Sinais de Fumo.

Após este problema, seguem em primeiro lugar Arjacasa,  Detective Verdinha,  Inspector Moscardo e  Veni Vidi Vici.

Terminou o torneio Português Suave. No primeiro lugar ficaram   Arjacasa, Inspetor Boavida e O Gráfico.


Local do Crime

Está a decorrer o Concurso de Produção  de problemas policiários, a partir de 1 de novembro de 2025,  Concurso de Enigmas Policiários (Produção) “Mãos à Escrita!”.

Os problemas enviados serão publicados no Torneio Solução À Vista 2026, a partir de janeiro, ou seja, está aberto o novo torneio a realizar no blogue Local do Crime.

O primeiro problema foi Vingança, publica no dia 1 de janeiro de 2026.

Este  espaço vai ainda dando no notícia de tudo o que se realiza no âmbito do policiário em Portugal.


Repórter de Ocasião

O blogue reforça Os Primórdios da Problemística Policiária, desta vez republicando um conjunto de problemas de L. Figueiredo saídos originalmente no Notícias Ilustrado, em 1929 e republicados pelo Inspector ranha no Correio do Ribatejo. 

Tropeções Policiários é uma nome de uma rubrica onde são lembrados alguns episódios do policiarismo português e dos seus intervenientes.

Concurso dos Gostos, vai publicar ao longo do ano 24 passatempos. Os doze primeiros já foram publicados, assim como as respetivas classificações, seguindo em primeiro lugar  Arjacasa, com perseguidores muito perto.

O caso (sério) da rua das Trinas  é a novela das Edições Fora da Lei, de 2018, que o blogue esteve a publicar. Neste momento publica Mary Lou, Mary, Lou? Onde estás tu?


Clube de Detectives

Além das ligações aos blogues ativos, e da recordação de secções e problemas publicados noutros tempos, vai divulgando o acervo  do Arquivo Histórico da Problemística Policiária Portuguesa, que acumula o resultado das pesquisas efetuadas pelo confrade Jartur.

Neste momento, entre secções do passado e do presente, incluindo as dedicadas ao charadismo, o Clube de Detectives apresenta referências aos seguintes espaços: A Página dos Enigmas, Repórter de Ocasião, Local do Crime, O Inspector Fidalgo, Charadas & Charadistas, Palavras Cruzadas Clássicas e Charadas,   Policiário e  Momento do Policiário.  Também é feita alusão ao boletim XYZ Magazine. 

Algumas, são referências do presente, e outras apenas fazem parte da nossa história policiária.

Foi publicada a classificação final do Torneio Cinquentenário de Mistério Policiário, que tem, como vencedora,  a Detective Jeremias. A Detective Jeremias também venceu a classificação de As Melhores, e nas soluções Mais Originais a vitória foi de Mali. O vencedor da produção foi Bernie Leceiro.

 
O Inspector Fidalgo

Luís Pessoa continua a relembrar os convívios que ocorreram, principalmente, mas não só, desde os anos 70 do século passado, mostrando fotografias que recordam momentos e policiaristas.

Também tem publicado outro tipo de documentos, como cabeçalhos e páginas de secções que fizeram a história do policiário em Portugal.

Também publica cópias de textos e imagens que remetem para convívios e secções policiárias do passado.

Quando estas palavras são escritas, o  post deste blogue em 31 de janeiro de 2026 é uma fotografia, de 1 de junho de 2008, do convívio da Tertúlia Policiária da Liberdade, realizado na Quinta do Rio.



sábado, 31 de janeiro de 2026

A Página dos Enigmas nº 218

 



Lista das postagens previstas para o próximo mês de fevereiro.


Dia 1 - Noticiário sobre o que se passa nos outros blogues dedicados ao policiário.

Dia 2 - Republicação de um conto de António Breda Carvalho. 

Dia 4 - Mais um post dedicado à literatura policiária. Nesta publicação é relembrada uma autora: Craig Rice.

Dia 5 - Início de mais uma série de posts. Esta é dedicada aos nº1, sejam eles o primeiro número de uma coleção,  livro de um autor ou de uma série. 

Dia 7 - Publicação das pontuações obtidas pelos concorrentes que enviaram a solução do Problema nº 1 Torneio de Fórmula 1 Policiária e Torneio Paralelo de Homenagem à Geração de 70. 

Dia 9 - Mais um post da rubrica Um torneio de outros tempos. Recorda-se um torneio publicado em Enigma Policiário.

Dia 10  - Publicação da prova nº 2 do Torneio de Fórmula 1 Policiária e Torneio Paralelo de Homenagem à Geração de 70.

Dia 12 - Publicação de mais um texto de Luís Pessoa sobre a Geração de 70.

Dia 13 - Relembrando um policiarista: Zé.

Dia 15 - Detectives criados pelos policiaristas na elaboração dos seus problemas.

Dia 17 - Mais uma edição de Humorismo Policiário. Uma anedota ilustrada.

Dia 19  - Mais um Enigma Curto para resolução rápida: A viagem do caracol.

Dia 20  - Um texto opinativo.

Dia 22  - Publicação sobre a adaptação cinematográfica de um livro da autora inglesa Ruth Rendell.

Dia 24  - Apresentação da solução do Enigma Curto.

Dia 27 - A BD e o Policiário: Lena 

Dia 28 - Publicação da listagem de posts previstos para o mês de março.



Nota: Esta listagem não impede o surgimento de outras postagens, se a atualidade se impuser.

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

A Página dos Enigmas nº 216

 

Banda Desenhada Policiária - Kerry Drake


Kerry Drake foi mais uma série policiária. Surgiu em 4 de outubro de 1943 criada pelo desenhador Alfred Andríola e o argumentista Allen Saunders.

Kerry Drake é, de início, um detetive particular, mas, após a morte da noiva e secretária, Sandy Burns é assassinada, ele juntou-se à polícia.

Em 1958, Kerry Drake casou-se com a viúva de um polícia e em 1967 foi pai de quadrigémeos. Será, sem dúvida, a única série em que o protagonista é pai de 4 crianças em simultâneo.

A morte de Andríola traria o fim da série, em 26 de junho de 1983, apesar de esta ser praticamente desenhada por assistentes de Andríola nos últimos anos da sua vida.


Após o nascimento dos quadrigémeos, a série focou-se muito na vida familiar de Drake, subestimando a sua atividade de polícia, com o irmão mais novo de Kerry, Lefty, a protagonizar muita da ação que foi mantendo a série.

Em 1970, Alfred Andríola recebeu o prémio Reuben, Cartoonista do Ano, pelo seu trabalho em Kerry Drake.

Em Portugal a série foi dada ao conhecer ao público no número 149 da revista Mundo de Aventuras, em 19 de junho de 1952.