sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

A Página dos Enigmas nº 227

 

Policiaristas: Zé


Imagem retira do blogue O Inspector Fidalgo. Zé no convívio de Cabanas de Viriato em 17 de maio de 2009



Gustavo José Pereira Barosa nasceu na Marinha Grande em 9 de maio de 1942. Faleceu em 9 de janeiro de 2025 na cidade de Viseu, local onde trabalhou e viveu a sua vida adulta, nunca esquecendo as origens.

Atuou em várias áreas ligadas à cultura, mas aqui, ir-se-á falar da sua ligação ao Policiário.

Chegou ao Policiário pelo seu gosto pela banda desenhada e por ler, começando a concorrer na secção Mistério Policiário da revista Mundo de Aventuras, orientada por Sete de Espadas. O seu pseudónimo foi uma homenagem ao seu tio José.

Rapidamente  se evidenciou na decifração de problemas.

Depois do desaparecimento de Mistério Policiário, ainda concorreu na secção Badaladas da TPO, mas de seguida, fez uma pausa, regressando como provedor do Policiário. Em 2002 retomou a sua carreira de solucionista com muitos bons resultados. Para não haver repetição de pseudónimos, e como Viseu, surgia no Mundo de Aventuras sempre a seguir ao pseudónimo, passou a designar-se Zé-Viseu.

Em 2010 retomou o seu antigo pseudónimo: .



Imagem retirada do XYZ Magazine número 17


Foi muitas vezes o autor de A Melhor Solução de muitos problemas publicados. Além destas vitórias obteve outras. 

Pouco depois de se ter iniciado, na Volta a Portugal em Problemas Policiários foi o primeiro em duas classificações: As Melhores e Combinado. Esta prova foi disputada em 1976-77, na revista Passatempo,  No ano de 1977, na revista Quebra-Tolas, em Mistério e Aventura, mais uma secção orientada por Sete de Espadas, foi o vencedor do Torneio Quebra-Tolas 77. Nesse mesmo ano, foi um dos vencedores do Mini D- Outono do Torneio 4 Estações 77. No ano seguinte, 1978, surgiu como vencedor, por vezes ex-aequo, nos minitorneios do 4 Estações-78A) InvernoB) Primavera e C) Verão. Apenas falhou no D) Outono, dedicado aos testes de Banda Desenhada e Literatura Policial. No ano de 1978 foi vencedor do Torneio Sete de Espadas no Mundo de Aventuras. Em 1980 surge com mais um conjunto de vitórias: A) Inverno do 4- estações 80C) Verão do 4 Estações 80D) Outono do 4 Estações 80 e vencedor do 4 Estações 80, que era o Combinado dos mini torneios A, B, C e D. 



Imagem extraída do blogue O Inspector Fidalgo de 1 de dezembro de 2024. A Imagem faz parte de uma solução enviada por Zé a um problema nos anos 70


Em 1982, em Mistério Policiário, do Mundo de Aventuras ganhou o Torneio Dos Reis ao S. Pedro.

Antes da sua interrupção feita na sua atividade, em 1985 venceu no Jornal Badaladas o Torneio Sete de Espadas na vertente Decifração.

Depois de retomar a decifração do Policiário, foi o vencedor da Taça de Portugal em Problemas Policiários na época 2003-2004, assim como o vencedor de As Melhores nesse Campeonato Nacional de Problemas Policiários.

Em 2005 venceu o I Torneio Policiário O Lidador das Cinzentas.

Na época 2005-2006 venceu o Campeonato Nacional de Problemas Policiários, certame que Luís Pessoa realizava na secção Policiário do Público, assim como a classificação As Melhores nesse mesmo certame.

Na época seguinte, 2008-2009, venceu a Taça de Portugal, foi o vencedor do troféu Policiarista do Ano e terminou a época no 1º lugar do Ranking. Em 2008-2009 venceu “apenas” a classificação As Melhores, no Campeonato Nacional de Problemas Policiárias.

Voltaria a ser Campeão Nacional em 2010 e 2013.


Imagem extraída do blogue Crime Público de 23 de setembro de 2010


No ano de 2021, venceu na revista Sábado o Torneio do Centenário de Sete de Espadas, estabelecendo deste modo uma homenagem àquele que fez o seu lançamento no policiarismo.

No que se refere à produção, não escreveu muitos problemas policiários, mas, mesmo assim, sublinhe-se o facto de ser o vencedor da Produção no Torneio Sete de Espadas, realizado na secção Badaladas da TPO, em 1985, com Pediste-me um problema.

Mas não foi apenas um decifrador e produtor de problemas policiários. Também orientou secções. Orientou, com o Inspector Aranha a fase final de Enigma Policiário na revista Passatempo, entre junho de 1979 e o mesmo mês de 1982.

Juntamente com o Inspector Aranha, que na época adotava o pseudónimo de Zé dos Anzóis, e M. Constantino, que usou Zé da Vila, orientou a secção Mundo dos Passatempos no jornal O Almeirinense, entre 1 de março de 2006 e 15 de janeiro de 2010.


Imagem retirada do blogue O Inspector Fidalgo de 7 de maio de 2025.  Zé no convívio de Santo André em 26 de junho de 2005


Além do seu papel como provedor do Policiário do Público também foi um membro ativo no XYZ Magazine, sendo o responsável por um conjunto de crónicas lá publicadas.

Tem também publicado no Público o conto O Cão Maldito.

Marcou presença em múltiplos convívios e foi o organizador do Convívio de Viseu que, na década de 70, no mês de Setembro, era realizado.

Como se pode ver, foi um policiarista de excelência.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

A Página dos Enigmas nº 226

 

Mais um texto do L. P. dedicado à Geração de 70 do policiário.


ESTREIA

 

Aveiro, 28 de Fevereiro de 1976

O primeiro convívio em que estive presente.

Ainda um pouco às apalpadelas, o Sete aventurou-se no aluguer de um autocarro e partimos, de madrugada, do Martim Moniz, em Lisboa.

Eu não conhecia ninguém, mas a figura do Sete era facilmente reconhecível e desde muito cedo, antes até do autocarro aparecer, já alguns de nós íamos “marcando a pinta” dos detectives que por ali circulavam, mas sem conversas...

Até que apareceu o “barbudo” e sorridente Sete, que logo concentrou as atenções dos convivas, para as necessárias apresentações.

Os mais miúdos, eram trazidos pelos pais e recomendados ao “avô” Sete, que se aprontava a descansá-los: “Connosco estão bem entregues”!

A viagem foi demorada, as autoestradas eram miragem e o autocarro, enfim, andava, o que já não era mau de todo. Houve tempo para muita conversa...

Convívio animado, que o Jartur coordenou lindamente, com uma sala de teatro só para nós...

Por essa altura, a fama de contestatário já me precedia e era possuidor de fartíssima cabeleira e abundante barba e quase todos se espantaram com o meu aspecto. Tinham a ideia que iam encontrar um “rato de biblioteca”, com os óculos na ponta do nariz... 

Era um gozo quando o Sete me apresentava: “Este é o LP!”

E muitos não acreditavam!

A “Geração de 70” já se ia mostrando, com alguns “veteranos” entremeados numa larga maioria de “putos”.


terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

A Página dos Enigmas nº 225

 


Vamos à publicação do problema nº 2  dos Torneio de Fórmula 1 Policiária e Torneio Paralelo de Homenagem à Geração de 70.

Hoje é publicado o Grande  Prémio do Porto, local de origem de muitos policiaristas. Pretende-se homenagear todos os policiaristas do designado Grande Porto.  

Nem sempre, nomeadamente nos tempos em que as respostas eram enviadas por correio, havia uma correspondência direta entre as localidades indicadas e o local onde os policiaristas viviam, designadamente nas grande cidades, por isso Porto representa, também, as localidades próximas.

Não me parece que o problema apresente grande dificuldade, tal como aconteceu no nº 1, mas, tal como no primeiro problema, há que justificar bem, todas as conclusões tiradas.

Torneio de Fórmula 1 Policiária 

Grande Prémio do Porto

Torneio Paralelo de Homenagem à Geração de 70

Problema nº 2

O traficante de diamantes

de Paulo

A minha missão estava bem definida. Seguia o carro que me haviam indicado e, como de costume, eu sabia que não o poderia perder.

A noite já caíra há algum tempo e como o carro seguia numa estrada com poucos veículos, achei melhor não me aproximar demasiado. Ele poderia suspeitar daquelas luzes que iam sempre atrás dele mesmo quando mudava de direção.

Não era um suspeito muito perigoso. Nunca matara ninguém, daquilo que se sabia. Estava a ser seguido por ser um elemento importante na quadrilha de tráfico de diamantes que estávamos a investigar.

Ele fazia uma condução normal, quase descontraída. Connosco, naquela estrada, cruzavam-se alguns carros, atirando-me as luzes para os olhos, e para os dele, muito provavelmente, quando se esqueciam de alterar os faróis para a posição de cruzamento com outros veículos. Nunca lhe vira a cara. Tinham-me indicado o modelo e a cor do carro, o local onde estava parado e eu aguardei. Vi-o entrar no carro, sozinho, e assim conduzia, porque mais ninguém entrara posteriormente.

A viagem estava monótona, não fossem os veículos que vinham da frente. Foi num desses cruzamentos, enquanto um carro se cruzava com ele, que atirou pela janela, ainda lhe vi a extremidade dos dedos, a ponta de um cigarro, que vi em movimento parabólico até bater no chão. Não fosse eu estar a fazer a perseguição e teria parado, para ter a certeza que a “beata” estava apagada na berma onde caíra. Era inverno, mas nunca se sabe o que pode acontecer. Não há épocas de incêndios, há incêndios. Ainda olhei para o lado direito, para ver se via alguma chama a tentar começar, mas a ponta do cigarro não se via.

Aproximávamo-nos da autoestrada e seria por aí que seguiríamos. Nestas estradas de portagem eletrónica não se para, e foi por isso que seguimos sempre sem interrupção da viagem.

Pouco depois, havia uma estação de serviço, para onde ele entrou.

Eu também saí da autoestrada. Ele estava parado a colocar combustível no carro. Eu não podia parar ali, pois ele podia ver-me, o que não era aconselhável, ou desconfiar que era seguido. Segui em frente e parei junto do restaurante da estação, pronto a arrancar quando ele passasse, pois era a única via de saída. Parei. Vi que ele desviara o carro para a lateral do restaurante e, como não surgira do outro lado do edifício, parara aí. Será que iria comer. Também saí e fui até à lateral do edifício.

Miséria! Desgraça! Eu não tinha reparado na matrícula do carro e agora havia lá quatro carros estacionados do mesmo modelo e da mesma cor. Um modelo atual. Como era possível?! Como fora eu tão ingénuo? Quem é que agora eu deveria seguir? Havia um veículo com matrícula portuguesa, outro com matrícula espanhola, um com a placa da Grã-Bretanha e outro, pasme-se, da Finlândia. A terra do frio e do Pai Natal. Claro que o interior do veículo coincidia com a nacionalidade da matrícula, como eu pude constatar numa vista rápida através do para-brisas.

Quem é que eu deveria seguir? Qual dos quatro veículos seria usado pelo traficante de diamantes?

 

É neste momento que os leitores vão ajudar o detetive automobilista. Qual dos carros ele se deveria preparar para seguir e porquê?

As soluções  devem ser entregues pelos seguintes meio, até às 24 horas do dia 28 de fevereiro:

a - por correio eletrónico de A Página dos Enigmasapaginadosenigmas@gmail.com, enviando por email;

b - entregando em mão ao orientador do Blogue A Página dos Enigmas, onde quer que o encontrem;

c - por correio, através do endereço postal Paulo Pereira Viegas / Rua Ferreira de Castro, lote 21 / 3505-570 Viseu.