Era um escritor com uma imaginação sem fim. A. Raposo era o pseudónimo ou nome curto adotado por António Rocha Raposo, que nos deixou inúmeros contos e múltiplos problemas policiários. Enigmas onde criou a personagem de Tempicos.
Neste conto enveredou pelo caminho da Ficção Científica.
E tudo começou no princípio
Autor: A. Raposo
Zoltan enxugou uma ténue lágrima ao
canto do olho. Apesar de não pertencer à classe dos humanoides, tinha com estes
enormes semelhanças. Era igualmente feito de carne e osso, respirava oxigénio e
tinha sentimentos. Apesar do seu aspeto simiesco, do pelo que lhe cobria todo
o corpo, do seu andar bamboleante, tinha um ar bonacheirão.
Zoltan vivia no planeia Zwig, que,
por sua vez, pertencia à galáxia M‑107. Acabara de ver na máquina da História do Tempo o que ficou registado como o
princípio e o fim da História do Planeta Terra. Com seu filho Moltan, tinham
acabado de visionar o filme e ficaram ambos pensativos. Zoltan não conseguiu
evitar uma lágrima. Já vira aquele filme várias vezes, mas ficava sempre
emocionado. Desta vez quis mostrar ao filho aquele registo da história.
— Meu filho — disse-lhe — o que
sucedeu ao planeta Terra, pode um dia acontecer ao nosso. As probabilidades são
poucas mas existem. A Terra teve vida durante tanto tempo, depois, como viste,
um asteroide chocou com ela e o resultado foi aquela enorme bola de fogo, que
fez evaporar os oceanos e acabou com os terráqueos e tudo quanto tinham
construído. Da terra só ficou este registo que os nossos antepassados
preservaram. Conta-se que os nossos astronautas foram, há muito tempo à Terra,
e, trouxeram alguns exemplares que, apesar de muito primitivos, conseguiram
adaptar-se ao nosso meio. Ainda há meia dúzia de descendentes deles por aí, mas
é gente muito esquisita. São poucos mas, mesmo assim andam sempre à guerra uns
com os outros. Dizem os nossos intelectuais que a vinda dos terrestres trouxe
mais problemas que vantagens. Mas, os que cá estão são os últimos descendentes
da Terra.
— Mas, agora que a Terra acabou, o
que é que podemos fazer? — perguntou Moltan.
— Bem — disse Zoltan — talvez
alguma coisa. Vejamos aqui no aparelho como estará a Terra neste momento.
Zoltan carregou em vários botões e
a informação começou a surgir no visor.
— Olá — disse Zoltan — sorrindo. A
Terra ficará de novo habitável. Os níveis de oxigénio, humidade e azoto já
estão praticamente iguais aos nossos, Vou pedir ao nosso Mestre de Zwig, para
nos aconselhar o que fazer. Pzig, o Grande Mestre de Zwig, ouviu com paciência
que lhe era peculiar, os argumentos de Zoltan, sobre a vantagem de enviar
povoadores para a Terra.
O Grande Mestre ponderou todos os
prós e os contras e, por fim, resolveu a favor de envio de uma nave, com um
casal de descendentes dos terrenos, por sinal dois que se tinham mostrado mais
difíceis de se adaptarem às leis de Zwig. Através de um intercomunicador chamou
um guarda e ordenou-lhe: – Peguem nos dois presos, descendentes dos terráqueos,
que estão nas masmorras do Palácio Real e metam-nos na primeira nave com
destino à galáxia solar.
Deixem-nos lá na Terra. Mas, muita
atenção, não se enganem, os nomes deles são Adão e Eva.


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