terça-feira, 10 de março de 2026

A Página dos Enigmas nº 244


Vamos à publicação do problema nº 3  dos Torneio de Fórmula 1 Policiária e Torneio Paralelo de Homenagem à Geração de 70.

Dos três problemas publicados até agora, talvez seja o mais simples. Vamos a isso.

Almada tem sido alfobre de muitos policiaristas, designadamente com um elevado número de concorrentes nos anos setenta. Durante alguns anos, no Jornal de Almada, foi publicada a secção O Detective, mantendo a chama do policiarismo.

Duas  boas razões para que exista um Grande Prémio de Almada.

Torneio de Fórmula 1 Policiária 

Grande Prémio de Almada

Torneio Paralelo de Homenagem à Geração de 70

Problema nº 3

A morte de um senhor de outros tempos

Autor: Paulo


Teófilo Coutinho e Sousa era um senhor de outros tempos. Residia na sua vivenda, rodeado de criados que já mais ninguém possuía. Tinha um mordomo, uma empregada que servia de cozinheira e fazia a lide doméstica, um jardineiro, para tratar do vasto jardim que rodeava a casa e, pasme-se, vivia com um sobrinho órfão, cujos pais tinham morrido num desastre de avião, assumindo Teófilo a responsabilidade de o educar e criar. Estava naquela casa um grupo ideal de suspeitos para qualquer crime que fosse cometido: o mordomo, a cozinheira, o jardineiro e o sobrinho.

Mas, vamos ao crime.

Teófilo fora encontrado morto por Jarbas, o mordomo. Fora ele quem dera o alarme. O senhor Teófilo, com setenta e dois anos, fora estrangulado no seu quarto. O cofre, onde guardava as notas, estava aberto e o dinheiro desaparecera.

Ao entrar no quarto, olhando pela janela, Jarbas vira um vulto a correr para o muro da frente, através do terreno preparado, a saltá-lo e a desaparecer. Fora isto que dissera.

 A janela, do primeiro andar, mas não muito alta, estava aberta, o que levava a crer que quem se introduzira na casa e, provavelmente, matara Teófilo, fugira por lá.

Tudo isto fora observado por Narciso Morais ainda no quarto.

Por descargo de consciência, uma vez que o caso não parecia levantar dúvidas, Narciso Morais resolveu interrogar os outros habitantes da casa.

Clementina, a empregada, mulher de cerca de cinquenta anos, disse estar na cozinha, que tinha uma porta para as traseiras da casa. Não vira ninguém a passar pela cozinha. Estava a preparar o jantar. Apesar de serem apenas cinco horas, o jantar era, como sempre, elaborado, e o senhor Teófilo jantava impreterivelmente às sete horas, pelo que tinha começado a preparar tudo muito cedo. Acorrera ao andar de cima, quando ouvira os gritos de Jarbas e lá ficara enquanto este saíra para telefonar, de um telefone fixo em casa da vizinhança, porque Teófilo não queria telemóveis nem telefones em casa. Ficou sozinha no quarto com o cadáver.

O jardineiro, Carlos, homem que rondava os quarenta anos, encontrava-se nas traseiras da casa, de volta de um canteiro de dálias, e como o quarto do patrão dava para a frente, não se apercebeu de nada. Quando ouviu os gritos de Jarbas, acorreu ao local onde encontrou Clementina e o senhor Cristóvão.

Finalmente, Narciso Morais ouviu o sobrinho da vítima, Cristóvão. Era o mais jovem de todos, com cerca de trinta anos, e disse encontrar-se a dormir. Quando acordou com os gritos, que lhe pareceram de Jarbas, saiu do seu quarto, encontrou Jarbas no corredor, que lhe referiu o que se passara, e foi ao quarto do tio, onde se encontrava Clementina.

Ouvidas todas as pessoas presentes no edifício, Narciso Morais deu uma volta pelo exterior da casa. Era uma vivenda com rés do chão e primeiro andar sendo visível a janela do quarto de Teófilo Coutinho aberta, do lado da frente, por onde se entraria sem grande dificuldade e sem ajuda de qualquer escada um ladrão. A janela dava para um terreno que se estendia até ao muro, todo em terra perfeitamente lisa, que se via que iria servir para semear relva, dado o preparo a que fora sujeita. As outras janelas frontais da casa encontravam-se com os estores corridos. Nas paredes laterais não havia janelas, e até cerca de metade do terreno, visto junto dessas paredes, ainda se via este, preparado para levar a relva. Apenas na parte que ligava às traseiras havia vários canteiros de flores que se prolongavam pelo quintal na parte detrás da casa, que decerto ocupariam muito do tempo de Carlos, com diferentes caminhos a fazerem o seu contorno. Na parede traseira da casa ficava uma outra porta, que junto com a da frente eram os únicos acessos ao edifício.

Narciso Morais também não podia esquecer outras coisas que sabia: não havia telefones a casa, do outro lado da rua havia uma casa com telefone, Cristóvão não tinha ocupação conhecida e Jarbas não se dava com a cozinheira nem com o jardineiro.

Bem! Parece-me não haver grandes dúvidas sobre o que sucedeu.­Disse Narciso Morais, em voz alta, mesmo estando sozinho, antes de entrar na casa, onde os seus colegas continuavam na recolha dos vestígios.

 Pergunta-se:

Poderá Narciso Morais suspeitar de algum dos intervenientes? Justifique a resposta.


As soluções  devem ser entregues pelos seguintes meio, até às 24 horas do dia 31 de março:

 a - por correio eletrónico de A Página dos Enigmasapaginadosenigmas@gmail.com, enviando por email;

     b - entregando em mão ao orientador do Blogue A Página dos Enigmas, onde quer que o encontrem;

      c - por correio, através do endereço postal Paulo Pereira Viegas / Rua Ferreira de Castro, lote 21 / 3505-570 Viseu.

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