sábado, 13 de junho de 2026

A Página dos Enigmas nº 301

 


Policiaristas: Medvet


Fotografia retirada do blogue O Inspector Fidalgo, de 18 de outubro de 2024. Medvet em Almada, em 31 de outubro de 1992


O seu nome era Ermelinda Carvalho, exercia medicina veterinária na Malveira da Serra, e é da sua profissão que vem o seu pseudónimo: Medvet ou Med Vet. Já li as duas grafias.

Terá iniciado a sua atividade policiária na segunda metade da década de 80. Escreveu algumas respostas classificadas como A melhor Solução, mas era na originalidade que se evidenciava, como o mostram os vários troféus vencidos.

Em 1992 venceu o troféu As melhores, no Torneio dos Mestres, realizado na secção O Detective- Zona A- Team, do Jornal de Almada.

Em 1993 em a Célula Cinzenta, no Torneio 4 Estações, vence a Etapa Primavera e a Etapa Verão. Em 1994, vence no 4 Estações 94, a Etapa Inverno, e, dois anos depois, em 1996 no Torneio 4-Estações 96 volta a vencer a Etapa Inverno.

Na época 2005-2006 é a brilhante vencedora das soluções Mais Originais do Campeonato Nacional de Problemas Policiários, havendo apenas um dos 10 problemas em que não produz a solução mais original.

Repete a vitória na época 2006-2007 e em 2007-2008

Na época 2008-2009 é novamente a vencedora da Originalidade no campeonato Nacional, situação que repete e nos campeonatos de 2010 e 2011.

Não escreveu muitos problemas policiários, mesmo assim, ainda registo sete problemas da sua autoria, tendo criado uma personagem protagonista: O inspector Fagundes.

Publicou no Jornal de Almada, ainda em 1988, na Célula Cinzenta, em O Lidador das Cinzentas e no Público.

Foi membro da Tertúlia Policiária da Costa do Sol, marcou presença em alguns convívios policiários, designadamente na região Sul, sendo uma das orientadoras da secção policiária Enigma do Jornal da Costa do Sol.

Não quero deixar de salientar um texto por si escrito, sobre literatura policial, publicado on-line, e que é identificado como sendo o resumo de uma monografia. Por ser um texto pouco frequente e já não estar disponível on-line fica aqui. Foi publicado em 19 de maio de 2008.

«O tema "policial" foi "criado", digamos assim, por Edgar Allan Poe, em meados do séc.XIX. Os seus contos e poemas têm um carácter de fantástico e horror (Enterramento prematuro, o gato preto, o coração revelador, a queda da casa de Usher, a máscara da morte vermelha...), mas três/quatro contos em particular são que nos interessa: "Duplo assassinato na rua Morgue", o primeiro caso de crime em quarto fechado; "O mistério de Marie Roget",em que Põe analisa um caso real acontecido em Nova Iorque baseado apenas em relatos da imprensa--é o primeiro detective de poltrona; "A carta roubada", caso que envolve um segredo diplomático e é a origem do ditado" esconder uma coisa à vista de todos"; finalmente "tu és o homem" que não é muito conhecido, mas usa um método pouco ortodoxo para desmascarar o criminoso e deu origem ao tema" o culpado é o suspeito menos provável". E também, embora já não tão "policial" "O escaravelho de ouro", onde aplica a criptografia(mais tarde, Doyle haveria de fazer o mesmo, no conto "Os bailarinos ou dançarinos"). Avançamos uns anos e é em Inglaterra, mais precisamente em Edimburgo que vamos encontrar o Dr. Arthur Doyle, médico recém formado e sem clientela, que resolve começar a escrever histórias populares para ganhar algum. Sherlock Holmes foi inspirado num professor da Escola Médica de Edimburgo, muito apreciado pelas suas conclusões, geralmente certeiras, só por olhar para os pacientes. Doyle preferia escrever sobre temas "sérios", e achava o tempo dedicado ao seu detective "perdido"; de tal modo, que tentou livrar-se dele nas Cataratas de Reichembach, Suíça. Mas os protestos foram tantos, que o detective acabou por "ressuscitar" no conto "A casa vazia". Apesar disso, existem erros nos contos, tais como a bala que atingiu o Dr Watson estar ora no braço ora na perna, um conto que começa de manhã em Junho e acaba à tarde, em Outubro (no mesmo dia), apenas para mencionar dois dos mais óbvios. Avancemos mais um pouco, até aos primeiros anos do século XX. Surgiram muitos detectives na esteira de Holmes, poucos dos quais são dignos de menção. Apareceu também o "herói--ladrão", tal como Arséne Lupin e Raffles (este foi criado pelo cunhado de Doyle... a sério). O polícia investigador oficial (A pedra de Lua, a mulher de branco, ambos de Wilkie Collins), o excêntrico (O velho do canto, da Baroneza Orzcky, que nunca foi publicado cá; a Baroneza escreveu também as aventuras do Pimpinela escarlate), enfim quase todas as profissões foram usadas para os detectives. Em França, temos Émile Gaboriau como precursor, cujas obras foram publicadas há uns anos numa colecção de capa azul e desenhos berrantes (4 nºs, pelo menos; 1--O crime de Orcival; 2--O agente Lecoq; 3--o dossier 113 e 4--A corda na garganta; existe também uma colecção mais antiga, das Edições Excelsior, com capas parecidas, dos anos 50, mas nunca a vi ao vivo, só em artigos de jornal/revista).

O período entre as duas guerras é considerado a idade de ouro, pois que nele surgiram os autores ditos "clássicos", como a Agatha Christie. É de notar que aqui há uma distinção entre o polar (é assim que lhe chamam em França) nos EUA e na velha Inglaterra. De facto, enquanto na Inglaterra se continuava mais ou menos nos mesmos moldes (é célebre a polémica que se estabeleceu com "O assassinato de Roger Ackroyd" de A.Christie; Ela foi acusada de ir contra as convenções, pois o assassino é a pessoa menos provável, mesmo) nos EUA ganhava força a chamada corrente Black Mask, ou máscara negra, cujos expoentes maiores são Dashiell Hammett e Raymond Chandler. A seguir à II ª Guerra Mundial, o género "floresceu". Novos nomes foram aparecendo, como Craig Rice, Erle Stanley Gardner (antes de Perry Mason escreveu uma série sobre um promotor distrital, alguns dos quais foram publicados na "Escaravelho de ouro"), e muitos mais, além de autores que já tinham aparecido na década de 30(um deles é Stuart Palmer, hoje injustamente esquecido, cujos livros são "disputados" pelos  conhecedores; uma 1ª ed. pode custar os olhos da cara, especialmente se tiver a capa de papel, a sua heroína é Miss Hildegarde Withers, uma solteirona com muito mais piada que a Miss Marple; alguns contos dele foram publicados na revista Mistério magazine de Ellery Queen, no Brasil; Há vários filmes dos anos 30 e 40 com Miss Withers e o Inspector Piper, a quem ela põe a cabeça em água...). A partir dos anos 60 o género renova-se, por assim dizer. Nessa época abundam os autores de "escrita a metro", lamento dizê-lo, para o mercado dos livros de bolso. Exemplos: Carter Brown, Brett Halliday (a maioria dos livros dele foram escritos por autores--fantasma, só os primeiros 25/30 foram escritos por Davis Dresser--o verdadeiro nome de Halliday), Mickey Spillane; Trata-se de detectives que bebem como esponjas, vão para a cama com todas as mulheres que lhe aparecem, levam sovas de criar bicho e no dia seguinte estão prontos para outra.... tipo James Bond. A propósito, o Bond dos filmes é infinitamente mais refinado que o dos livros. Ian Fleming não era um escritor muito "delicado". Actualmente existe uma enorme variedade de géneros, desde o romance policial "clássico" (cozy, como dizem os americanos), ao "thriller", o "noir" ou "black mask", o policial histórico (este foi lançado por Ellis Peters e o seu Irmão Cadfael. Situa-se pelo fim do século XII, no tempo de D.Afonso Henriques; os livros dela já foram publicados, pelas Publicações Europa-América. Ellis Peters morreu em 1994, deixando por acabar o 20º título da série.); actualmente existem dezenas de autores com histórias policiais passadas em épocas históricas: Steven Saylor e o seu Gordianus the Finder(séc.I a.C.), Lindsey Davis e o seu Marcus Didius Falco(séc. I d.C), Michael Jecks (séc XIV, Inglaterra), Candace Robb (esta tem duas séries, uma passada em York, Inglaterra no séc XIV e outra cem anos mais tarde), Bruce Alexander (sir John Fielding, o criador da primeira polícia londrina, séc. XVIII), etc.etc. Os três primeiros já foram publicados em português. E também existe o romance policial legal, como o da série CSI de que são exemplo os livros de Patrícia Cornwell.

E o que se passava entretanto, por Portugal?

Bem, os primeiros "escritos" policiais portugueses são sátiras e pequenos contos "à maneira de "Doyle saídos em revistas, lá pelo fim do século XIX--princípios do século XX. Alguns são de autores portugueses, mas a maioria são anónimos. Por volta de 1909 aparecem nºs da "Novella Popullar", uma versão nacional dos "pulps" americanos, com histórias compradas no estrangeiro, de Raffles, S. Holmes e outros assim, mas que não têm nada a ver com os originais. Pensa-se que, por os direitos de autor serem exorbitantes, os editores limitaram-se a copiar as personagens e inventar intrigas que eram mais "palpitantes" que as originais. Não foi só aqui. Na Europa, em geral, os advogados de Doyle tiveram um trabalhão a pôr processos por violação de direitos; por cá, como somos pequenos, não devem ter achado que valia a pena o trabalho... Não é preciso dizer que essas revistas hoje são muito raras. Para lá do tempo que passou, eram impressas em papel de qualidade muito inferior, e já se sabe o que lhes aconteceu! Entre 1870 e 1920 apenas são de mencionar os livros "O mistério da estrada de Sintra" de Eça e Ramalho Ortigão; os livros de Francisco Leite Bastos--O crime do corregedor, o incendiário da Patriacal, o crime de leite bastos (este foi publicado na Vampiro há uns 4 anos), e contos de Fialho de Almeida, de Álvaro de Carvalhal, Eduardo Barros Lobo (Beldemónio) e pouco mais. Nos volumes de As vidas paralelas de S.H. há vários exemplos desses contos.

Mas já na década de 20 com o jornalista Reinaldo Ferreira, o Repórter X, as coisas mudaram. Ele publicou vários livros (O fantasma branco; o táxi 9297; este tem sido republicado de vez em quando), mas morreu muito novo. Uma das colecções que editou foi a "Colecção Policial, Aventuras e mistério" da ed. João Romano Torres. Foi também um dos pioneiros do cinema português e editou vários periódicos: "O jornal do repórter x", "o x", "o repórter X"...

Nos anos 30, a Clássica editora publicou a colecção "Os melhores romances policiais", que teve 124 nºs;

Esta é azul acinzentada com riscas azuis nos bordos. Esta colecção tem muitos títulos franceses, especialmente obras que ganharam o Grand Prix du roman d'aventures. É desnecessário dizer que nunca mais foram publicadas... o nº 1 chama-se "Seis homens mortos" de Stanislas André Steeman; o 124,"O crime mora ao lado", de Day Keene. Temos nesta colecção livros de José da Natividade Gaspar, um "clássico" que ainda não li, excepto "A taça de ouro", o 108 da Xis. Foi o único livro dele publicado com pseudónimo, e só Deus sabe porquê. É muito engraçado, trata de um envenenamento num concurso gastronómico e talvez leve as pessoas a pensar duas vezes quando vão a um restaurante... Foi publicado em França com o título "Congrés Gastronomique". Gaspar achava o Hardboiled demasiado cru e não o considerava verdadeiramente "policial". O nº 66 da Xis é também escrito por uma dupla de portugueses e partiu de um folhetim publicado num jornal. Passa-se entre Lisboa e o Estoril.

Menciono ainda três livros publicados pelo Dr Fernando Luso Soares, quando ainda era inspector da polícia..

Há também uma colecção Detective que foi publicada entre os finais dos anos 30, princípios dos anos 40; tem pelo menos 32 nº, a primeira série são livros pequenos, aí do tamanho dos Vampiro, e há muitos títulos de Mário Domingues, com os pseudónimos: Fred Criswell; Henry Jackson, James Black, Joe Waterman, Marcel Durand, Max Felton, Nelson Mackay, Peter O'Brion, Thomas Birch, W. Joelson (este último é o autor de uma série de romances interligados, 20 títulos com a mesma personagem, o Príncipe Savil). A 2ª série é maior, tipo A5, e até agora só vi 5 títulos. (Abro parêntese para mencionar a colecção amarela, brasileira, de ed. Globo de porto alegre; Entre os anos 20 e 30, Adolfo Coelho (que também dirigiu os melhores romances... da clássica) publicou vários livros como pseudónimo J. Stew. Curiosamente, quando "o segredo do H-21" foi publicado, recebeu críticas elogiosas; mais tarde, publicado sob o verdadeiro nome do autor, as opiniões dividiram-se...

Depois, houve um interregno, devido à guerra. Em 1946, Gentil Marques começa a publicar, na Vida Mundial Ilustrada (suplemento de "Vida Mundial") problemas tipo "foto-crime", que em breve deu origem ao detective Magazine, primeiro um suplemento e depois já vendido em separado, que se alongou por 22 nºs. Em 1946/7 há uma "explosão" de títulos/colecções. Menciono a colecção Grandes mistérios grandes aventuras (mais tarde, só grandes mistérios), que publicou pelo menos 151 títulos, até aos anos 70; a colecção Crime(civilização), com pelo menos 11 títulos; a colecção policial Gleba, com 10 títulos e, já nos anos 50, a colecção Vampiro, a colecção xis (com 202 + 8 títulos, se não me engano), a colecção Escaravelho de Ouro(40 nºs), a Colecção Corvo (37 nºs), a colecção máscara (13 nºs;), a colecção Olho de lince (14 nºs), a colecção Policial da Emp.nac.pub, com uns 30 títulos, a colecção Max Tedd (Civilização (12 nºs,). Há uma colecção editada pela Casa editora Nunes de Carvalho, por volta dos anos 40/50, ainda não vi nenhum, mas sei que um dos títulos é A dama de luto e outro O bandido amarelo. Estas são as que conheço, mas pode bem haver mais.

Nos anos 60, apareceram novas colecções, e novos autores. Menciono Ross Pynn(de quem muita gente gostou, até saber que era português: comentários, para quê?) com o Joe Stassio, um ítalo-americano veterano da guerra da Coreia. O seu estilo é duro (o 1º livro "o caso da mulher nua", é bastante cru, o próprio autor o reconheceu; mas decidiu deixá-lo como estava, pois retocá-lo era adulterá-lo) e por isso muita gente não o apreciava. Devo dizer que as primeiras edições das suas obras foram proibidas pela censura (estava-se em plena guerra colonial...). Colecções dos anos 60: Ângulo Negro(14 nºs); Rififi (pelo menos 156 nºs); Círculo negro (33 nºs, até Janeiro de 1975); Criminalidade (15 nºs; editada em Coimbra, esta é muito difícil de achar e tem quase só obras de W.Strong Ross, aliás Francisco Azevedo. Escreveu peças de teatro, e os seus livros são muito complexos, uma vez que se interessava especialmente pelas patologias que levam ao crime: bissexualidade, necrofilia, incesto, etc. E isto nos anos 50! Admira-me como a censura deixou passar... Azevedo escreveu também uma obra de espionagem passada entre Londres e Lisboa. A cena final é na praia do Guincho, e por uma vez ele abandona as locubrações psicológicas. O livro chama-se "escalada dos espiões" e, para variar, é muito difícil de  encontrar.); Enigma (não sei ao certo quantos volumes, mas são mais de cem), Esfinge, Policial, a colecção policial da Galeria Panorama, por volta de 1968/9. Pode haver mais, mas não as conheço--ainda. Nos anos 70 não houve grande coisa, recordo uma colecção da Bertrand com as obras de Simenon com Maigret a colecção Álibi (ed.70) e pouco mais.

E entramos num terreno já mais actual. Hoje existem as colecções clube do Crime, O fio da navalha, Damas do crime e mais outras que não vale a pena mencionar, pois encontram-se ainda nas livrarias.

Os escritores portugueses ocultaram-se muitas vezes sob pseudónimo. Pelos mais variados motivos, até porque em Portugal "não havia crime"... Adiante.

Frank Gold--pseudónimo de Luís Campos; Dick Haskins--pseudónimo de António Andrade Albuquerque; Van Der Bart--pseudónimo de Mascarenhas Barreto; Ross Pynn, Edgar Caygill--pseudónimos de José Augusto Roussado Pinto; Simon

Gannet--pseudónimo de Pereira da Silva; Artur Cortez, pseudónimo de Modesto Navarro; Dennis McShade, pseudónimo de Dinis Machado; George McDowell--pseudónimo de Jorge Curvelo; Adam Fulton e Ans. Shouldmake--pseudónimos de Américo Faria; pseudónimos de Gentil

Marques: Charles Berry, James Strong, Marcel Damar, Herbert Gibbons, G. D. Richardson, William Forster, Ralph Mollison, Edgard Newlite, D. G. Richter, G. E. Marshald; pseudónimos de Mariália (mulher de Gentil

Marques): James S. Falk, pelo menos.

Passando a outro assunto, as revistas policiarias. O termo policiário foi cunhado por Fernando Pessoa, que contactara com as obras de Põe enquanto esteve na Africa do Sul, escreveu alguns contos de temática policiaria, mas não aprofundou muito o assunto. Revistas: detective magazine(1946/7,22 nºs); Vampiro magazine (1950/2,24 nºs) o gato preto (1952,6 nºs e um almanaque), X magazine (3 nºs, 1950), selecções alibi (3 nºs, 1949/50), Crime (1965, ed. Fernando Melin, 1 nº), Crime (A Varatojo, 12 nºs, anos 70), Sherlock de Saias (Néné varatojo, 4 nºs, 1977), colecção policial G-3 (anos 70), XYZ magazine (35 nºs, 1979-1987), Selecções mistério (8 nºs, 1981/2), Célula Cinzenta (órgão da APP, 50 nºs, até 1996). Também Antologias de mistério de Ross Pynn(12 nºs,1966/7). E, no campo das antologias, temos: ABC Policial (organizado por Artur Varatojo), 6 nºs; História do conto policial, Victor Palla, Coimbra ed., 1947; Antologia do conto policial, Lima da Costa, ed. Arcádia, Mestres do conto policial, ed. Arcádia, 1ª série (1945) e 2ª série(1954). Antologias Policiais Ross Pynn (10 volumes de 600--800 páginas,1963/7), Antologias Dick Haskins (pequena: 4 nºs. grande 18? nºs), Antologias Shell Scott, ed. Ibis (1968/9), 22 nºs, além de livros avulso que não fazem parte de colecções. Estas, as que conheço!

Dentro desta área, existe ainda uma série de colecções "baratas" equivalentes aos Yellow papers ingleses e aos pulps americanos, ou ainda aos romances de cordel portugueses. A colecção FBI faz parte deles.

 

Está... por agora!

(por medvet)

 

Quanto aos portugueses…O problema é que muitas obras foram escritas sob pseudónimo. Não sei que idade tem o Orpheu, mas muitas obras publicadas entre os anos 30 e 60 foram publicadas sob pseudónimo porque, aparentemente, o público preferia autores estrangeiros. Muitos desses romances passam-se em Inglaterra, França, EUA… isto porque, segundo a propaganda da época “não havia crimes em Portugal”. Haver, havia, mas a censura proibia a sua divulgação. Não é do meu tempo, mas conheço pessoas ligadas ao meio nessa época, e é o que me dizem. Entretanto, do que se vai sabendo, a colecção Grandes mistérios grandes aventuras da Ed. Romano Torres até ao nº 80,tem só títulos de autores portugueses, essencialmente do Gentil Marques e da sua esposa, Mariália. São de valor um tanto irregular, mas lêem-se muito bem. A editora ASA tem uma colecção de obras de Dick Haskins um jornalista de um jornal londrino que também mete o nariz em crimes. Os livros tiveram muito sucesso internacional nos anos 60,especialmente “O isqueiro de oiro”(não é mau, mas um pouco datado).José da Natividade Gaspar tem 6 livros publicados na colecção “Os melhores romances policiais”, da clássica editora. O seu personagem é um polícia de Lisboa, auxiliado por um detective  britânico, Sam Brown; muito bons, embora difíceis de encontrar: ainda me falta o primeiro, O mistério da Ópera. Ross Pynn, no seu género, também é muito bom; pena tenho eu de já não ter chegado a conhecê-lo pessoalmente (conheço amigos dele) mas é preciso um bocado de estômago para o ler. Nunca foi de palavrinhas mansas e nos seus livros descreve a realidade nua e crua. Muita gente achou que a sua escrita era demasiado crua, e confesso que há contos dele que são arrepiantes. Pode começar pelas antologias de Ross Pynn, onde há muitos contos. O editor apresentou sempre no início de cada conto um resumo da vida e obra do autor em questão—é uma boa maneira de começar. Quanto ao resto, há muitos outros, são é quase impossíveis de encontrar, a não ser com muita paciência e pesquisa. Por agora, acho que esta explicação chega. Não quero “armar em catedrática” (embora muito fique por dizer).»


 Imagem retirada do blogue Crime Público de 14 de setembro de 2016

Medvet faleceu em 8 de janeiro de 2013.


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