quinta-feira, 2 de julho de 2026

A Página dos Enigmas nº 310



Este conto foi publicado na revista Célula Cinzenta número 29, publicação da Associação Policiária Portuguesa.

É um conto curo, estilo que não é muito cultivado, talvez devido ás dificuldades que apresenta na sua elaboração.


O fundo da estrada velha

Autor: António Serra


… As botas produziam um ruído estranho ao pisarem o cascalho solto, do caminho que conduzia ao palheiro.

Tinha enfiado, à pressa, um casacão que usava em noites de temporal, bem como umas botas de carneira já gastas pelo correr dos anos. O frio misturado com a minha ânsia provocavam-me arrepios.

Acordara estremunhado com o ladrar dos cães. Olhara a janela e vira qualquer coisa como um grande clarão seguido dum som abafado, parecido como aquele que é produzido com o cair dum muro.

Seguia agora, quase que a trote, a caminho do barracão. A noite estava clara.

Uma lua bem cheia inundava de luminosidade todo o terreno de searas que me rodeava. A cerca de 20 metros estaquei. Estava ofegante e o suor corria-me por todo o corpo. A pouco e pouco recuperei o sangue frio. À medida que me ia aproximando via jorrar de dentro do palheiro uma luz intensa… e o cheiro que chegava até mim era um cheiro a queimado.

Não queria acreditar no que os meus olhos acabavam de presenciar.

— Mas porquê eu… meu Deus?!... — balbuciei.

Dei a volta e desatei a correr de volta a casa. Peguei no telefone e disquei, o mais rápido que os meus dedos podiam.

— Está?... Está lá por favor! — Sou eu novamente — disse afogueado — é para trazerem um reboque que desta vez foi… um camião TIR que me entrou pelo palheiro dentro!...

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