sexta-feira, 4 de setembro de 2026

A Página dos Enigmas nº 346

 


Série – Drury Lane


Drury Lane é um antigo ator de teatro. Afastado dos palcos devido à sua surdez, os proventos ganhos enquanto ator permitiram-lhe construir um castelo nas margens do rio Hudson. Para aceder aos seus domínios é necessário transpor uma ponte rústica, com um guarda a proteger a entrada, e que se encontra fechada com um portão de ferro.

A seguir à ponte aparece uma floresta de carvalhos, após a qual se encontra uma clareira onde se ergue o castelo, com torreões, ameias e muros de granito. Depois de se entrar no castelo há uma outra estrada que serpenteia entre jardins. Para aceder à casa é necessário passar uma ponte levadiça sobre um fosso. Poder-se-ia pensar que se está perante alguém que se quer proteger de invasores, mas tudo não passa de excentricidades de milionário.

Lane foi um actor especializado em peças de Shakespeare. Os seus criados no “castelo” que habita, todos eles antigos trabalhadores do teatro, fosse na arte de representar ou em outra qualquer outra atividade, têm  nomes de personagens criadas por este autor: Dromio, o motorista; Falstaff, o mordomo; Quacey “caliban”, o jardineiro.

 Fisicamente a primeira descrição de Lane surge quando ele já tem 60 anos, apresentando-o como alto e magro, olhos verdes acinzentados, pescoço bronzeado e musculoso. Possui voz sonora e possante. Esta descrição é válida para os dois primeiros casos em que surge. Os dois últimos decorrem 10 anos mais tarde, quando Lane já tem 70 anos, e no seu terceiro caso, A tragédia do Z, surge como tendo ombros curvados, cabelos brancos, andar vacilante e aspeto doente, situação essa que acabará por influenciar o desenlace em A última tragédia. Drury Lane tem a faculdade de ler os lábios dos seus interlocutores, o que só lhe permite “escutar” uma pessoa de cada vez.

O primeiro caso em que Drury Lane surge é A tragédia de X, onde as suas qualidades de detetive são solicitadas pelo Inspetor Thum e pelo procurador distrital Bruno. Durante o desenrolar da ação tem-se conhecimento que a primeira façanha detectivesca de Lane foi num caso que ele resolveu e comunicou por carta à polícia.

A atuação de Lane por vezes ocorre à margem da lei. Em A tragédia de Y, uma criança comete uma série de crimes. Para evitar que a atividade criminosa continue fica a insinuação de que Lane matou a criança.

No seu último caso, A Última tragédia,  já condenado à morte pela doença, ele comete uma assassínio, embora se possa alegar que em autodefesa, para salvar uma carta de Shakespeare. Tendo sido descoberto esse seu ato pela filha do seu amigo Thum, ele suicida-se.

Como nota curiosa dos seus casos, fica a descrição de uma execução na cadeira elétrica a que Lane assistiu em A tragédia de Z, caso que é narrado na primeira pessoa por Patiente Thum, filha do inspector Thum, que nessa altura tinha já deixado a polícia, dirigindo uma bem sucedida agência de detetives. É a surdez de Lane que deixa a pista que permite a Patiente chegar à verdade.

A série originalmente surgiu criada por Barnaby Ross, um pseudónimo que representava a mesma dupla de escritores que assinava como Ellery Queen.

 

 Eis a lista dos episódios protagonizados por Drury Lane.

Titulo em Português, Coleção, Editora, Titulo original, Data da publicação original

A tragédia de X, Vampiro, Livros do Brasil, The Tragedy of X, 1932

A tragédia do Y, Circulo de Leitores, The Tragedy of Y, 1932

                                 Xis, Minerva             

A tragédia do Z, Policial, Empresa Nacional de Publicidade, The Tragedy of Z, 1933

A última tragédia, Xis, Minerva, Drury Lane's Last Case,  1933


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