ESTREIA
Aveiro, 28 de Fevereiro de 1976
O primeiro convívio em que estive
presente.
Ainda um pouco às apalpadelas, o
Sete aventurou-se no aluguer de um autocarro e partimos, de madrugada, do
Martim Moniz, em Lisboa.
Eu não conhecia ninguém, mas a
figura do Sete era facilmente reconhecível e desde muito cedo, antes até do
autocarro aparecer, já alguns de nós íamos “marcando a pinta” dos detectives
que por ali circulavam, mas sem conversas...
Até que apareceu o “barbudo” e
sorridente Sete, que logo concentrou as atenções dos convivas, para as
necessárias apresentações.
Os mais miúdos, eram trazidos
pelos pais e recomendados ao “avô” Sete, que se aprontava a descansá-los:
“Connosco estão bem entregues”!
A viagem foi demorada, as
autoestradas eram miragem e o autocarro, enfim, andava, o que já não era mau de
todo. Houve tempo para muita conversa...
Convívio animado, que o Jartur
coordenou lindamente, com uma sala de teatro só para nós...
Por essa altura, a fama de
contestatário já me precedia e era possuidor de fartíssima cabeleira e
abundante barba e quase todos se espantaram com o meu aspecto. Tinham a ideia
que iam encontrar um “rato de biblioteca”, com os óculos na ponta do nariz...
Era um gozo quando o Sete me
apresentava: “Este é o LP!”
E muitos não acreditavam!
A “Geração de 70” já se ia
mostrando, com alguns “veteranos” entremeados numa larga maioria de “putos”.

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