domingo, 12 de abril de 2026

A Página dos Enigmas nº 265

 


T DE TERTÚLIA E DE TEIMOSIA...

Com naturalidade, naquela época, o Sete de Espadas era o modelo a seguir, aquele que nos abria os olhos para um novo passatempo e outro mundo, através de um veículo que chegava a todo o país e que se chamava Mundo de Aventuras.

Há que referir que estávamos em 1975, a democracia era ainda uma novidade e o país era varrido por um desejo intenso de coisas novas, de algo que contrariasse o analfabetismo e o “pensamento único”. Os jovens, muito jovens mesmo, procuravam novidades, algo diferente daquilo a que estavam destinados antes do 25 de Abril.

E foi o Policiário que apareceu, numa revista de quadradinhos, com tiragens gigantescas e que chegava a essa imensidão de “putos”, ávidos de muito mais do que apenas histórias desenhadas.

E foi assim que o Sete apareceu e juntou a uma legião de amantes do policial, que já vinha de trás (veteranos), uma outra de futuros “viciados” nos enigmas policiais (novos), agora identificados como “geração de 70”.

E, praticamente do nada, apareceram as Tertúlias Policiárias, que se reuniam à noite ou aos fins de semana e onde se falava de tudo e mais alguma coisa, se discutiam os problemas policiários que marcavam as nossas agendas, se definiam as datas e os “menus” dos convívios, afinal de contas, se cimentavam as amizades que ainda hoje perduram...

Tertúlias como a de Almada ou a do Palladium em Lisboa, onde se reuniam muitos confrades em amenas ou agitadas sessões...

Mas o Sete tinha coisas que não lembravam a ninguém! E uma teimosia sem limites, desde logo com a fidelidade às soluções dos autores, que originavam situações que agora seriam inimagináveis, de soluções erradas que serviam para classificar problemas, subvertendo completamente a verdade das competições! Claro que não tocava a todos, porque os “veteranos”, sabedores do modo de pensar do Sete, davam-lhe as soluções requeridas, tipo “albardavam o burro à vontade do dono” e assim levavam a água ao seu moinho! E nós, ainda mancebos nestas coisas, arquitectavamos soluções muito completas e documentadas, que terminavam, invariavelmente, nas menos pontuadas!

E era escusado reclamar, porque se o autor dava aquela solução, para o Sete era essa a única solução!

Imaginem só o que eram aquelas reuniões de sábado à tarde, no Palladium, com “batalhões” de contestatários a quererem fazer valer os seus direitos a uma classificação justa!

Sempre sem qualquer sucesso!

Luís Pessoa

REUNIÃO DA TERTÚLIA POLICIÁRIA DE ALMADA

19 DE OUTUBRO DE 1984


REUNIÃO DA TERTULIA POLICIÁRIA DO PALLADIUM

ANOS 70


2 comentários:

  1. »»» Mais um texto do L. P. dedicado à Geração de 70 do Policiário «««
    - ...E o "SETE" sorria com ar malicioso... quando lhe perguntávamos qualquer coisa sobre determinado pormenor de um problema policiário e respondia... "pois, aí é que está o busílis!"... mas quando lhe apertávamos os "calos"... precisamente sobre as contrariedades das "soluções dos autores"... (erradas!) - como muito bem refere o "LP"! - ele, o "SETE", por vezes, irritadíssimo..., quase dava um murro nas mesas do Café Palladium - mais tarde no Café Lisboa - e gritava: "Ai... a gaita da Margarida!!"...
    GRANDES TEMPOS!
    Na maioria das vezes... acabávamos a tarde junto dos Cacilheiros... petiscando e bebendo cerveja nas barraquinhas!! (O Gráfico)

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  2. »»» Só para recordar os nomes do Pessoal!
    - Em cima, em Almada, da esquerda para a direita: Espírito Santo, depois Spirit; The Punk; Carlos, atrás dele e a testa do Zé Alguém; João Valente, a beber; O Gráfico e Joaquim Augusto; Detective Misterioso; Depois, PRMS, de costas, Jorrod a olhar para o fotógrafo que foi o Francisco Salgueiro - Xico Zé e as cabeças de Lindaflor e Alva.
    - Em baixo, em Lisboa, da esquerda para a direita: Belém Valente; Detective Invisível; Detective Misterioso, sempre com o seu cigarrinho e o Durandal com o seu inconfundível cachimbo; Raul Ribeiro, de frente; Lanterna Vermelha; SETE DE ESPADAS; Não me recordo do pseudónimo do rapaz que está a seguir ao "SETE", de óculos; depois talvez o Delgas, ainda julguei ser eu, mas acho que nunca tive o cabelo tão liso e por fim a cabeça do Carlos Duarte, deste tenho a certeza!
    Momentos mágicos! (O Gráfico)

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