terça-feira, 8 de setembro de 2026

A Página dos Enigmas nº 349

 

Secções Policiárias: Mistério Policiário no Mundo de Aventuras (1)


A análise de Mistério Policiário irá dividir-se em 3 partes. Não será uma divisão temporal equitativa, mas, uma divisão feita com base noutras características. Assim, esta primeira parte faz referência à secção Mistério Policiário, desde o seu início até a16 de setembro de 1976. No dia 23 desse mês iniciava-se o torneio Primeiras Buscas.

A secção Mistério Policiário foi, sem dúvida e sem menosprezo por todas as outras que existiram na mesma época, a secção mais importante dos anos 70 e 80, devido à sua duração e ao número de concorrentes que por lá passaram e se iniciaram

 A secção existiu no “Mundo de Aventuras”, (MA), uma revista de banda desenhada e foi orientada por Sete de Espadas.

Dadas as características da revista onde a secção se publicava os concorrentes eram na sua maioria muito jovens, embora por lá pontuassem também alguns veteranos.

A primeira aparição ocorreu no dia 13 de março de 1975. Foram 51 os concorrentes que apareceram nesse primeiro número, respondendo a um problema de palavras cruzadas e a um pequeno teste de cultura geral. O primeiro problema policiário viria a surgir apenas na semana seguinte, MA nº 77, juntamente com mais um problema de palavras cruzadas e outro teste de cultura geral. Não é indicado o autor do problema, pelo que tudo indica que seja o próprio Sete de Espadas. Responderam 43 concorrentes.

Nas três semanas seguintes outros tantos problemas surgiram, dois deles, mais uma vez sem indicação do autor. Durante algumas semanas os problemas policiários desapareceram, dando lugar a testes e outros passatempos.

O número de concorrentes não era muito alto, começando a baixar, até que o reinício da publicação de problemas policiários faz aumentar ao seu número. Ao atingir o MA nº 100, foi apresentada uma estatística que apontava para 262 concorrentes entre os números 81 e 99. No nº 93 não se publicou a secção por falta de espaço.

Um dos problemas da secção, na minha perspetiva, surgiu da falta de assertividade, visível nos casos em que era dito que os passatempos publicados não pertenciam a um torneio, mas depois era apresentada uma classificação geral final.

Em 28 de Agosto de 1975 inicia-se o primeiro torneio da secção que se intitulava I Grande Torneio, que se dividia em duas partes: A) Passatempo, com testes e Palavras cruzadas e B) Policiário, com os problemas policiários.

O torneio englobava as duas vertentes: Produção e Decifração.

Até ao final do ano tinham sido publicadas 9 provas quer do A) quer do B), continuando o torneio no ano de 1976.

Este torneio foi importante no crescimento da secção, pois logo no primeiro problema publicado houve 211 concorrentes. Os problemas publicados nesse ano, foram, regra geral, bastante acessíveis, embora seja de salientar Natal! de Big Ben, a prova nº 9 do I Grande Torneio, em que houve apenas 3 concorrentes a acertarem totalmente.

Não houve grandes polémicas neste primeiro período. Apenas o problema O caso do colar de esmeraldas roubado suscitou alguma contestação. A chave não era muito bem fundamentada, deixando uma via aberta, para que se indicasse um outro ladrão que não o que o autor apontava.

Foram publicados neste período os seguintes passatempos:

 

47 problemas policiários

27 problemas de palavras cruzadas

13 testes de Cultura Geral

2 teste de Banda Desenhada

8 testes de Literatura Policiaria

4 testes sobre assuntos variados, não englobados nas categorias anteriores

2 enigmas figurados

1 pilha de palavras

2 testes de observação

4 siglogramas

1 quebra-tolas

Foram 111 passatempos diferentes.

Em 5 de Fevereiro terminou o torneio atrás referido, iniciando-se uma semana depois, no dia 12, uma prova dedicada só a problemas policiários, o Interregno, que apesar de não ser um Torneio, tinha os problemas numerados, e viria a ficar marcado por alguns acidentes de percurso, como soluções extraviadas, e polémicas relativas à solução de um dos problemas: “Um pormenor que não condiz”, pois segundo alguns concorrentes o problema admitia mais do que uma solução. Em consequência de todos estes factos o torneio “evaporou-se”, não havendo notícias de soluções nem classificações a partir de determinado momento. Seguiram-se depois alguns problemas policiários e passatempos a té se iniciar uma outra fase de torneios.

Sete de Espadas tinha uma parte de Mistério Policiário, que iniciou no número 80, designado Chamada Particular, onde respondia a cartas dos concorrentes. Nem todas as cartas eram respondidas na Chamada Particular, pois em E… Como vamos de produções?, também entrava em diálogo com os leitores fazendo o registo das produções recebidas, dizendo logo se eram aproveitáveis ou não o eram.

A partir de determinado momento eram frequentes os anúncios dos convívios a realizar. Como não podia deixar de ser, tinha Retificações, onde indicava gralhas e erros anteriormente cometidos na publicação.

A secção começou com 2 páginas, não sendo publicada apenas no número 93 da revista  Mundo de Aventuras, mas no momento em que terminava esta primeira parte, o sucesso da secção fazia com que há vários meses não baixasse das 4 páginas, embora por vezes publicasse as reportagens dos Convívios noutro local, embora aqui estejam contabilizadas. A título de exemplo refira-se o número 122 onde a secção ocupa 6 páginas e o número 126 onde 4 páginas são ocupadas por Mistério Policiário, mais duas com reportagem de um convívio.

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