Secções Policiárias: Mistério Policiário no Mundo de Aventuras (1)
A análise de Mistério Policiário irá dividir-se em 3 partes. Não será uma divisão temporal equitativa, mas, uma divisão feita com base noutras características. Assim, esta primeira parte faz referência à secção Mistério Policiário, desde o seu início até a16 de setembro de 1976. No dia 23 desse mês iniciava-se o torneio Primeiras Buscas.
A secção
Mistério Policiário foi, sem dúvida e sem menosprezo por todas as outras que
existiram na mesma época, a secção mais importante dos anos 70 e 80, devido à
sua duração e ao número de concorrentes que por lá passaram e se iniciaram
A secção existiu no “Mundo de Aventuras”,
(MA), uma revista de banda desenhada e foi orientada por Sete de Espadas.
Dadas as
características da revista onde a secção se publicava os concorrentes eram na
sua maioria muito jovens, embora por lá pontuassem também alguns veteranos.
A primeira
aparição ocorreu no dia 13 de março de 1975. Foram 51 os concorrentes que
apareceram nesse primeiro número, respondendo a um problema de palavras
cruzadas e a um pequeno teste de cultura geral. O primeiro problema policiário
viria a surgir apenas na semana seguinte, MA nº 77, juntamente com mais um
problema de palavras cruzadas e outro teste de cultura geral. Não é indicado o
autor do problema, pelo que tudo indica que seja o próprio Sete de Espadas.
Responderam 43 concorrentes.
Nas três semanas
seguintes outros tantos problemas surgiram, dois deles, mais uma vez sem
indicação do autor. Durante algumas semanas os problemas policiários
desapareceram, dando lugar a testes e outros passatempos.
O número de
concorrentes não era muito alto, começando a baixar, até que o reinício da
publicação de problemas policiários faz aumentar ao seu número. Ao atingir o MA
nº 100, foi apresentada uma estatística que apontava para 262 concorrentes
entre os números 81 e 99. No nº 93 não se publicou a secção por falta de espaço.
Um dos problemas
da secção, na minha perspetiva, surgiu da falta de assertividade, visível nos
casos em que era dito que os passatempos publicados não pertenciam a um
torneio, mas depois era apresentada uma classificação geral final.
Em 28 de Agosto
de 1975 inicia-se o primeiro torneio da secção que se intitulava I Grande
Torneio, que se dividia em duas partes: A) Passatempo, com testes e Palavras
cruzadas e B) Policiário, com os problemas policiários.
O torneio
englobava as duas vertentes: Produção e Decifração.
Até ao final do
ano tinham sido publicadas 9 provas quer do A) quer do B), continuando o
torneio no ano de 1976.
Este torneio foi
importante no crescimento da secção, pois logo no primeiro problema publicado
houve 211 concorrentes. Os problemas publicados nesse ano, foram, regra geral,
bastante acessíveis, embora seja de salientar Natal! de Big Ben, a prova nº 9 do I Grande Torneio, em que houve
apenas 3 concorrentes a acertarem totalmente.
Não houve
grandes polémicas neste primeiro período. Apenas o problema O caso do colar de esmeraldas roubado
suscitou alguma contestação. A chave não era muito bem fundamentada, deixando
uma via aberta, para que se indicasse um outro ladrão que não o que o autor
apontava.
Foram publicados
neste período os seguintes passatempos:
47 problemas policiários
27 problemas de
palavras cruzadas
13 testes de
Cultura Geral
2 teste de Banda
Desenhada
8 testes de
Literatura Policiaria
4 testes sobre
assuntos variados, não englobados nas categorias anteriores
2 enigmas
figurados
1 pilha de
palavras
2 testes de
observação
4 siglogramas
1 quebra-tolas
Foram 111 passatempos diferentes.
Em 5 de
Fevereiro terminou o torneio atrás referido, iniciando-se uma semana depois, no
dia 12, uma prova dedicada só a problemas policiários, o Interregno, que apesar
de não ser um Torneio, tinha os problemas numerados, e viria a ficar marcado
por alguns acidentes de percurso, como soluções extraviadas, e polémicas
relativas à solução de um dos problemas: “Um pormenor que não condiz”, pois
segundo alguns concorrentes o problema admitia mais do que uma solução. Em
consequência de todos estes factos o torneio “evaporou-se”, não havendo
notícias de soluções nem classificações a partir de determinado momento.
Seguiram-se depois alguns problemas policiários e passatempos a té se iniciar
uma outra fase de torneios.
Sete de Espadas
tinha uma parte de Mistério Policiário, que iniciou no número 80, designado
Chamada Particular, onde respondia a cartas dos concorrentes. Nem todas as
cartas eram respondidas na Chamada Particular, pois em E… Como vamos de
produções?, também entrava em diálogo com os leitores fazendo o registo das
produções recebidas, dizendo logo se eram aproveitáveis ou não o eram.
A partir de determinado momento
eram frequentes os anúncios dos convívios a realizar. Como não podia deixar de
ser, tinha Retificações, onde indicava gralhas e erros anteriormente cometidos
na publicação.
A secção começou
com 2 páginas, não sendo publicada apenas no número 93 da revista Mundo de Aventuras, mas no momento em que
terminava esta primeira parte, o sucesso da secção fazia com que há vários
meses não baixasse das 4 páginas, embora por vezes publicasse as reportagens
dos Convívios noutro local, embora aqui estejam contabilizadas. A título de
exemplo refira-se o número 122 onde a secção ocupa 6 páginas e o número 126
onde 4 páginas são ocupadas por Mistério Policiário, mais duas com reportagem
de um convívio.

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