Autor: John Dickson Carr
John Dickson Carr é
considerado o mestre dos “crimes em quarto fechado”, consequência de a maior
parte dos seus romances decorrem nesse tipo de cenário. As obras de “quarto
fechado” são sempre fascinantes, uma vez que buscam a ligação que existe entre
o fantástico e o racional
Carr é também um dos
grandes nomes da chamada “idade de ouro” da literatura policial. Esta idade de
ouro decorre entre o início da década de vinte do século passado até
aproximadamente 1945, marca um estilo pouco preocupado com problemas sociais ou
políticos, e em que o importante é o puzzle criado pelo autor, que o detetive,
normalmente da classe aristocrática ou bastante erudito, resolve no final,
tendo também o leitor os elementos que possibilitam tirar as mesmas conclusões.
Este estilo é marcadamente inglês e John Dickson Carr é um dos poucos autores
americanos que o seguiu.
Jorge Luís
Borges, escritor argentino, sem dúvida um dos génios da literatura do século
XX, e grande admirador da literatura policial, considerava que Carr combinava a
rapidez da escola americana com o rigor intelectual da escola inglesa.
A obra de Carr sofreu
algumas influências de escritores que o antecederam. Gaston Leroux, Gilbert. K.
Chesterton e Conan Doyle são autores que o influenciaram. O seu gosto pelo
“quarto fechado” terá sido bebido em Chesterton, que acaba por ser retratado,
num acto de homenagem, numa das personagens mais famosas que criou, embora
também existam referências na sua obra, da grande admiração que tinha pelo
“Mistério do quarto amarelo” de Gaston Leroux.
Foi um estudioso da obra
de Doyle, tendo produzido uma biografia do criador de Sherlock Holmes em 1949.
Em 1954 escreveu, juntamente com o filho de Doyle, um pastiche, The Exploits of Sherlock Holmes.
Nos seus primeiros
livros, (1929-1932), usa um estilo muito melodramático que viria a abandonar,
seguindo-se aquele que é considerado o seu período de maior qualidade, os anos
que decorreram de 1934 a 1944, surgindo um pequeno declínio em 1936 e 1937.
As histórias
de Carr parecem impregnadas de fenómenos de bruxaria e sobrenatural, que no
final se esclarecem de forma racional, com a ciência a vencer o obscurantismo.
A obra de Carr não está
impregnada só desse ambiente sobrenatural, mas também de episódios
bem-humorados, num ambiente de comédia, embora esse humor por vezes oscile
entre o bizarro e o tétrico.
As suas chaves apesar de
nem sempre serem muito claras, não recorrem a truques. Não há passagens
secretas, venenos desconhecidos, irmãos gémeos ou compartimentos ocultos. As
histórias de Carr são essencialmente intuitivas, não dependendo de pistas
físicas, como pégadas, impressões digitais, restos de tabaco, características
de venenos ou balística.
Uma das críticas
apontadas a John Dickson Carr é a falta de caracterização e de calor humano das
suas personagens e o facto de muitas vezes sacrificar a arte e a técnica, no
intuito de deslumbrar o leitor, criando situações que possam impressionar a
imaginação.
Em 1955 Carr afirmou ter
encontrado 83 chaves diferentes para crimes em quarto fechado. Já em 1933 no
livro The hollow man, no capítulo 17, Carr através da personagem de Fell,
desenvolve as suas opiniões acerca do que é um crime em quarto fechado e das
várias formas como pode ser cometido.
A partir de 1950 Carr
começou também a dedicar-se ao romance histórico, mostrando o seu interesse
pela história inglesa, que já anteriormente surgira no romance The Arabian
Nights Murder
Carr é um escritor que
suscita paixões. Tem admiradores incondicionais e imensos detratores que
ridicularizam as suas chaves e os seus escritos. Normalmente, esta dualidade
de apreciações só é aplicável a quem inova e consegue ser criativo. Apenas a
mediocridade provoca a indiferença.


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