domingo, 4 de janeiro de 2026

A Página dos Enigmas nº 200

 



 Série - Charlie Chan

 

O conhecimento do leitor com Charlie Chan, personagem criado por Earl Derr Biggers, é travado em A casa sem chaves, onde, no sétimo capítulo, o então sargento-detetive da polícia de Honolulu entra em ação.

Nesta sua primeira atuação quase que passa despercebido, embora acabe por ter alguma intervenção na resolução do caso. Aliás, só a partir do seu terceiro caso, Atrás da cortina, Charlie Chan se pode considerar como o personagem central dos casos que resolve.

Charlie Chan considera-se a si próprio um estudioso da natureza humana. Acha que o importante é conhecer os comportamentos humanos, e que esse é o caminho certo para descobrir os criminosos, porque por detrás de um crime estão sempre sentimentos humanos, chegando mesmo a desdenhar da ciência como auxiliar da descoberta do criminoso. Apesar dessa sua opinião, é um especialista em impressões digitais, o que indica alguma contradição entre aquilo que pensa e o que faz.


Charlie Chan, antigo mordomo da família Phillimore, é um chinês baixo, gorducho e de ombros largos, perfeitamente adaptado aos hábitos ocidentais, situação que por vezes lamenta. Aparenta uma falsa subserviência em relação aos indivíduos de pele branca, no entanto, perante qualquer japonês, seja um conhecimento casual, ou o seu ajudante Kashimo, não tem qualquer relutância em manifestar a sua opinião de menosprezo das capacidades e das qualidades humanas e intelectuais dos japoneses, mostrando uma atitude racista.

Tem uma família numerosa. Quando tomamos conhecimento com ele em A casa sem chaves tem nove filhos. Quando resolve o caso O camelo preto dá a informação que já tem dez filhos, e o décimo primeiro nasce enquanto ele descobre o assassino em Atrás da cortina. Gostaria de ser pai de apenas rapazes e assume mesmo ter sido para ele um desapontamento o nascimento das suas três filhas. Quanto ao nome dos filhos ele não fornece a informação completa: Henry Chan é o filho mais velho e o mais novo chama-se Barry Chan, em homenagem a uma das personagens com quem se cruzou enquanto resolvia o caso que ficou conhecido por Atrás da cortina. A filha mais velha chama-se Rose, a do meio Evelyn e a mais nova Anne.

A sua mulher é chinesa e encontraram-se pela primeira vez numa praia. Quanto à restante família, sabe-se que tem um primo em Honolulu, Willie Chan, capitão de uma equipa de basebol, campeã do Pacífico, e vários familiares em S. Francisco, cidade aonde tem que se deslocar, durante o caso de O papagaio Chinês, e onde se encontra com Kee Lim, seu primo.


Em relação a bens materiais sabe-se que tem um Ford e que a sua residência é no declive de Punchbowl Hill. Sobre a sua casa não existe muita informação. Do teto da sala pendiam lanternas de cor ouro pálido, e nesse mesmo compartimento havia um quadro pintado em seda, com um pássaro num ramo de macieira.

Nos relatos dos seus primeiros casos, Charlie Chan gosta muito de falar de si, dando alguma informação sobre ele próprio e os que o rodeiam. Essa sua característica vai-o abandonando com o passar do tempo, também na medida em que vai sendo mais interveniente na resolução dos crimes que lhe surgem pela frente. Se em  A casa sem chaves não passa de um simples ajudante  do capitão Hallet, chefe dos detetives,  a sua intervenção em  O papagaio chinês  já é mais relevante ao longo de todo o caso. É, porém, a partir de Atrás da cortina que Charlie Chan se pode considerar o foco  centralizador na resolução dos crimes em que se envolve.

Quando Charlie Chan é apresentado aos leitores, em A casa sem chaves, tem o posto de sargento. Após o caso Atrás da cortina passa a inspetor e quando resolve o caso  O ladrão de diamantes ficamos a saber que já lhe foi atribuído um gabinete privado.

 Há algumas personagens que se vão cruzando mais do que uma vez com Chan ao longo dos diferentes casos. O inspetor Duff, da Scotland Yard, é um deles. Também o ridicularizado japonês Kashimo vai ajudando regularmente Charlie Chan.

Apesar de ser polícia em Honolulu, Charlie Chan não fica confinado à sua ilha, e é assim que em O papagaio Chinês viaja até ao continente americano, onde no deserto californiano resolve o caso. Ainda antes de regressar a casa, tem que, em S. Francisco, encontrar o criminoso no caso que ficou conhecido por Atrás da Cortina.

De novo em Honolulu encontra o criminoso em O camelo preto. O Ladrão de diamantes tem o seu desenlace no barco que faz a ligação entre Honolulu e S. Francisco, e é de novo em território continental que Charlie Chan se vê envolvido no caso O enigmático criado chinês.

Os portugueses também se cruzaram com Charlie Chan. Um emigrante luso foi preso por Chan ao fazer jogo ilícito na via pública. De salientar que graças à ineficácia de Kashimo, que perdeu a prova do crime, o português foi ilibado em tribunal.

Os casos de Charlie Chan foram todos publicados em Portugal na Colecção Vampiro.


Título em Português, Titulo original, Data da publicação original

A casa sem chaves, The house without a key, 1925

O papagaio chinês, The chinese Parrot, 1926

Atrás da cortina, Behind that curtain, 1928

O camelo preto, The Black camel, 1929

O ladrão de diamantes, Charlie Chan Carries On ,1930

O enigmático criado chinês, Keeper of the Keys, 1932

Charlie Chan está sempre a pedir desculpa por perguntar, por sugerir, por responder. Quando fala com alguém, quase sempre faz um elogio ao interlocutor, em especial quando o quer contradizer.


Usa e abusa de metáforas e provérbios chineses. Na maior parte das vezes, ele não informa se está a citar um provérbio ou se a frase é da sua autoria.

Eis uma pequena lista de provérbios chineses proferidos por Charlie Chan, e que ele identifica como tal.

*      Aquele que cavalga o tigre não pode apear-se.

*   Água lodosa remexida imprudentemente torna-se ainda mais turva. Deixada em repouso, clareia por si.

*      Está sempre mais escuro debaixo da lâmpada.

*      Um homem prudente, sabendo que está em perigo, não se detém para amarrar os cordões dos sapatos a meio do caminho.

*    Tartaruga que entra em casa pela retaguarda acaba por se instalar à cabeceira da mesa.

*      A morte é o camelo preto que se ajoelha à porta de qualquer um, sem ser chamado.

Das muita ”pérolas” que Charle Chan pronuncia, eis uma pequena seleção.

*      Sem a fidelidade, a nossa rota terrestre não passaria de um charneca estéril.

*      A paciência é uma virtude galhofeira.

*    As futilidades, às vezes, desabrocham num grande ramo cheio de sentido.

*    Esta visita imprimirá uma marca deslumbrante no rolo da minha memória.

*      As nossas provas são tão turvas como flores na água estagnada de um charco.

*      Os olhos mais brilhantes são às vezes cegos.

*      Quanto mais forte é o trovão, mais fraca é a chuva.

*      Navio com muitos pilotos nunca chega ao porto.

*      Uma boa palavra rude fere como seis meses de frio.

*    O hóspede que demora demais deteriora-se como o peixe passado.

*     Uma longa viagem de alguns milhares de milhas começa sempre por um simples passo.

*      Quando uma árvore cai a sombra desaparece.

*    O homem que quer atravessar o rio a vau, não deve despertar o crocodilo que dorme.

*      O homem que se senta à beira do rio leva tempo para o atravessar.

*      Se eu tivesse tempo para isso, vergaria a cabeça ao peso da vergonha.

*      Quem corre com a consciência leve, redobra a velocidade.

*      O tambor que produz mais ruído está cheio de vento.

*     Mesmo um pêssego que cresce na sombra acaba por amadurecer.

*    Rosas do próprio jardim nunca cheiram como as do jardim alheio.

*      Suspeitar é barato, mas ter suspeita errada sai caro.

*      O ovos não devem dançar com as pedras.

*      Príncipes têm censores, pais têm filhos.

*      Corvo pensa que grito de mocho é bela canção.

A última “pérola”, é a derradeira frase pronunciada por Charlie Chan, quando termina o seu último caso.

*      Há três coisas que homem sábio não deve fazer: arar no céu, pintar quadros em água e pretender demonstrar sagacidade com mulher.

Charlie Chan é uma personagem, que sem ser das mais entusiasmantes da literatura policiaria, se pode, no mínimo, considerar exótica: pelo local onde vive, pela família, pela linguagem e pelas atitudes.


sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

A Página dos Enigmas nº 199


Este conto é um dos meus contos favoritos. Publicado inicialmente sob o pseudónimo de Mário Campino,  posteriormente M. Constantino publicou-o sob esta autoria.

Neste conto é importantíssimo o uso das palavras que levam à execução do crime perfeito. Seria possível que o perpetrador fosse condenado? Uma pergunta para todos os leitores do conto.

Um outro sentimento

Autor: M Constantino


Torre, de Vilarosa, não era Torre; mostrava-se, até, um homem pequeno, corpo delgado, movimentos suaves. De olhos cinzentos, estranhos, num rosto muito pálido, grisalho prematuramente nas têmporas realçado no contraste do cabelo escuro.

Verdade, verdade, também não era de Vilarosa; mas, quando se apeara do comboio das 12-12, deixando duas grandes malas usadas e incaracterísticas, no depósito da C. P., lançara um olhar apreciador ao largo da estação, limpo e tranquilo, de amoreiras verdinhentas nos passeios, alguém que o vira, profetizou que o homem viera para ficar.

Correta profecia…

Com efeito, o homem abrira o jornal que trouxera dobrado debaixo do braço, e consultara a página dos anúncios. Dirigira-se ao único carro de aluguer estacionado, trocara duas ou três palavras com o condutor e entrara no veículo. O automóvel arrancara e subira a colina, deixando atrás e abaixo o fumo do gasóleo. Rolara por entre ruas silenciosas, cercadas de olmos e árvores frondosas que escondiam residências de pedra e tijolo, um ou outro edifício mais moderno, e saíra no extremo oposto em direção ao campo. Cinco quilómetros bem puxados, diminuíra a marcha, tomara por um caminho secundário curvo e de mau piso, detendo-se, por fim, junto à casa grande — a “Quinta da Cobra”.

A moradia que se elevava logo por detrás do portão de ferro, cercada de sebes e amplo muro de pedra e cal, era uma das antigas mansões bem conservadas, ainda que em estado de abandono. Dois andares de tijolo vermelho, agora envelhecido e sujo, portas e janelas que foram brancas, um grande telhado alongado, onde se viam janelas de sótãos e chaminés.

Fim da jornada, despedira o carro com um gesto, passando uma nota ao condutor, mal reparando e não correspondendo aos agradecimentos.

O olhar mostrava-se fixo e determinado.

Enquanto o transporte se afastava, dera dois passos para a entrada principal, estendendo a mão para a coroa de luto suspensa da aldrava, semidesfeita pelo tempo, atirara-a para o chão, pisando-a sem rebuço. Empurrara a porta, que se abriu com um rangido impressionante de agonia, deixando pendentes teias de aranha destruídas.

Havia triunfo nos olhos cinzentos…

A noite, no Café do Largo, frente à estação, comentava-se que a palidez do homem cheirava a hospital ou prisão. Provavelmente esta última. Verdade, mais uma vez, é que ninguém, mesmo ninguém, tivera a coragem de lhe perguntar. Aliás, o próprio nome —Torre — só seria desvendado no dia seguinte, quando o senhor António do tabelião viera beber a quotidiana bica com cheirinho e adiantara que a “Quinta” lhe fora adjudicada. “Três centenas e meia de Donas Marias, contadas na sua frente, novas a estalar ao toque dos dedos.”

Não ficaria saciada, mesmo mitigada de algum modo, a ávida curiosidade dos vilarosenses. De resto, todas as potenciais expectativas, quanto a futuros conhecimentos, haviam de se evolar aos poucos, face à atitude reservada, pouco ou nada colaborante, do novo proprietário. O desejo de saber citadino transformar-se-ia em puro ressentimento, este em malévolo “diz-se diz-se” de interrogações ou de passar por certo. E estava assente: o homem seria um espião aposentado, um ladrão escondido… talvez- um bruxo!

 

Os acontecimentos precedentes ocorridos na “Quinta da Cobra”, antes “Quinta do Cerro”, teriam, de alguma forma, agudizado o doentio interesse. De facto, algo de insólito ali ocorrera. Na segunda metade dos anos trinta, um casal alemão e sua filha — Anne — uma graciosa menina de seis anos, ali se haviam acoitado fugindo à cegueira envolvente do nazismo em progressão na sua pátria.

A mansão, toda a enorme extensão murada, foram praticamente reedificada. Nunca a quinta tivera tantos cuidados.

Um dia, a despeito da paz imperante, a pequena Anne, descuidada e feliz, tomara o caminho empedrado até ao fim da propriedade e desaparecera como por evaporação. Tudo fora minuciosamente revistado. A busca alargara-se analogamente aos campos circundantes, a perder de vista, sem resultados positivos.

Ao cair da noite, o rapazio que cooperava nas pesquisas havia encontrado uma grande e sonolenta cobra enroscada no tronco dum pessegueiro. Mataram-na à paulada. Sugestão, por certo, ou crendice popular, asseverara-se que o réptil ao exalar o último suspiro soltara um ai agudo, como que um grito de criança!

Herr Fritz, ao ser-lhe contado o episódio, levara a mão ao peito e caíra fulminado por uma síncope. A viúva, ausente nesse dia, após o funeral, rumara para parte incerta. A “Quinta do Cerro”, passara a ser designada por “Quinta da Cobra”; as gentes do povoado evitavam o caminho da propriedade...

Conhecedor ou não da tragédia, Torre não se influenciara. Isolara-se. Aos bons-dias duma ocasional e tímida tentativa de aproximação, respondiam os olhos cinzentos do rosto inteligente com um olhar de gelo bastante para apressar os passos do atrevido; às pedras cegas atiradas de longe sobre o muro, por turbulenta garotice num gesto de arrogância ao medo, era a indiferença.

Na casa definira-se então certa limpeza. A alta erva fora cortada, algumas árvores: podadas; um fio de arame farpado, no alto do muro a toda a volta, demarcava uma fronteira intransponível, definitiva. E, por inexplicável magia, um grande cão, um alsaciano de pelagem parda, robusto, vincada agressividade, de íris de âmbar e olhar profundo, proporcionando uma sensação de nobreza e inteligência, convertera-se em guarda e inseparável companhia do solitário. Uma amizade identidade comuns aproximara-os. Uma palavra do dono — passe o exagero — o cão derrubaria uma árvore.

De longe em longe Torre descia à vila, única e exclusivamente para tomar o comboio da madrugada. Ausente, em média, três a quatro dias, reaparecia transportando uma pasta velha, não raro volumosa.

A coincidência destas ausências com roubos audaciosos noticiados pelos jornais, o mistério daquela pasta recheada nos regressos, motivava comentários: “o ladrão”, “o assaltante”, “o capitão de quadrilha”; “quem o sabe? ” Decididamente o povoléu não lhe perdoava a indiferença; não que se ralasse — o seu olhar denunciava desprezo e zombaria.

Como sempre acontece, o homem põe e Deus dispõe. Se bem que a animosidade e desconfiança dos habitantes de Vilarosa se mantivessem inquebrantáveis, imperturbável o isolamento, este havia de ser quebrado — e de que maneira!

Numa manhã fria, enigmática por inusitada, uma pancada soou na porta principal da vivenda, O cão enriçou o pelo rosnando. Torre acalmou-o. De má vontade abriu a porta. Um homem muito moreno estava na sua frente.

— Tive uma “pane” no carro. Poderia tele… — hesitou, abriu muito os olhos — mas… mas, tu és o Zé Torre!

Os olhos de Torre, o relâmpago de cólera, transformou-se em perplexidade.

— Olha, o Pedro Mata! Como me apareces aqui, homem de Deus? Julgava-te por essas Áfricas! Entra, entra!

Entrando, Pedro, deteve-se. O lobo de Alsácia, olhos em fogo, orelhas em riste, mostrava os dentes.

— Quieto “Duro”; deita-te!

O cão deitou-se. O proprietário voltou-se para Pedro:

— Diz-me lá o que é feito de ti, homem! Quando acabaram os nossos “arranjos”, soube que foras para África. Eu continuei. Instalei-me aqui, longe de todos. Saio de vez em quando, compreendes…

— Sim, fui para Angola. Estive na Diamang. Agora sou um retornado. Escapei com a roupa do corpo — riu — e um substancial saquinho de diamantes. Vendi um à chegada. Agora a lei anda atrás de mim. Se tantos fizeram como eu… Bem, ia a caminho da fronteira quando o carro avariou. Empurrei-o para o pinhal lá em baixo, oxalá passe despercebido à guarda republicana.

— Paz, homem, paz! Já vamos ver do automóvel, agora vamos tratar de nós.

Sentaram-se. Seria, porém, o dia das surpresas. Nova pancada na porta, a segunda do dia e a segunda também de há muitos anos, deixou Torre assombrado e Pedro tolhido de medo.

— Espera Zé, não há outra saída? Fui descoberto — tartamudeou o retornado.

— Calma. Deixa ver…

 — Olha Zé, estão aqui os diamantes, se for apanhado não quero que estejam em meu poder.

És meu amigo, esconde-os e não te arrependerás…

Puxou um pequeno saco do bolso interior e entregou-o a Torre.

— Certo. Vai ali para aquele salão — apontou. — Dá para o pátio. Tu fica quieto, “Duro” — acrescentou para o cão.

Repetiu-se a pancada.

— Lá vai, lá vai!

Abriu e deparou-se-lhe um padre. Torre não conseguiu esconder o embaraço. O velho prior, encostado à antiquada bicicleta, sorria-lhe. Conseguira vencer o próprio acobardamento e o isolamento que Torre tecera com tanta diligência.

— Bem… sou o prior da Igreja da Pedreira. Venho pedir-lhe um óbolo para a próxima procissão… espero que me perdoe…

— Mas… bem, entre, padre, Deixe-me só prevenir um amigo. Enquanto o padre transpunha a porta, voltou-se para o salão, elevou a voz:

— Pedro, aguarda!

Ouviu-se uma corrida. Na consciência do ex-empregado da Diamang, o vocábulo soara-lhe uma advertência: — a guarda! A guarda estava na sua peugada!

Torre acorreu, Nos olhos cinzentos surgiu um brilho de espanto, uma centelha que se espalhou à medida que se arregalavam. Bruscamente, estacou, relanceou, por cima do ombro um momentâneo olhar ao padre; os olhos reproduziam um outro sentimento. Em voz ligeiramente rouca gritou:

— Pedro! Pedro… Pedro Mata!

Inesperadamente o alsaciano surgiu. De um salto alcançou o fugitivo, derrubando-o. Percebeu-se um estertor.

Quando Zé Torre e o padre se aproximaram. Pedro havia sido atingido na carótida. Estava morto.

O cão obedecera à voz do dono.

 

NOTA:

Duas palavras consubstanciam o mistério. Á primeira “aguarda” (espera) é transformada pelo subconsciente do homem perseguido, numa terrível ameaça para ele “A guarda”, a guarda republicana. Daí que procure escapar-se.

A segunda palavra-chave, está encerrada num apelo inocente: “Pedro! Pedro… Pedro Mata!” Será que este último termo se transformou em mata, o incitamento para o cão?

Nenhum indício, nenhuma matéria incriminatória pode ali existir para o observador casual.

Apenas um olhar “um outro sentimento”, poderia denunciar um crime perfeito.


quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

A Página dos Enigmas nº 198



 Notícias

Torneio Cinquentenário de “Mistério Policiário”

Chegou ao fim o Torneio Cinquentenário de Mistério Policiário. Com este certame, foi feita a comemoração dos 50 anos do início da secção Mistério Policiário da revista Mundo de Aventuras, que teve início em 13 de março de 1975.

Falta ficar a saber a pontuação no último problema e a classificação final.

Local do Crime

Está a decorrer o Concurso de Produção  de problemas policiários, a partir de 1 de novembro de 2025,  Concurso de Enigmas Policiários (Produção) “Mãos à Escrita!”.

Os problemas enviados serão publicados no Torneio Solução À Vista 2026, a partir de janeiro, ou seja, está aberto o novo torneio a realizar no blogue Local do Crime

Este  espaço vai ainda dando no notícia de tudo o que se realiza no âmbito do policiário em Portugal.


Repórter de Ocasião

O blogue reforça Os Primórdios da Problemística Policiária, desta vez republicando um conjunto de problemas de L. Figueiredo saídos originalmente no Notícias Ilustrado, em 1929 e republicados pelo Inspector ranha no Correio do Ribatejo. 

Tropeções Policiários é uma nome de uma rubrica onde são lembrados alguns episódios do policiarismo português e dos seus intervenientes.

O Concurso dos Gostos, vai pulicar ao longo do ano 24 passatempos. Os nove primeiros já foram publicados, seguindo em primeiro lugar  Arjacasa.

O caso (sério) da rua das Trinas  é a novela das Edições Fora da Lei, de 2018, que o blogue esteve a publicar. Neste momento publica Mary Lou, Mary, Lou? Onde estás tu?


Clube de Detectives

Este espaço digital comemorou no dia 14 de dezembro o seu 25º aniversário. São 25 anos a fazer a divulgação do policiarismo em Portugal. Parabéns ao seu orientador por este espaço policiário.

Além das ligações aos blogues ativos, e da recordação de secções e problemas publicados noutros tempos, vai divulgando o acervo  do Arquivo Histórico da Problemística Policiária Portuguesa, que acumula o resultado das pesquisas efetuadas pelo confrade Jartur.

Neste momento, entre secções do passado e do presente, incluindo as dedicadas ao charadismo, o Clube de Detectives apresenta referências aos seguintes espaços: A Página dos Enigmas, Repórter de Ocasião, Local do Crime, O Inspector Fidalgo, Charadas & Charadistas, Palavras Cruzadas Clássicas e Charadas,   Policiário e  Momento do Policiário.  Também é feita alusão ao boletim XYZ Magazine. 

Algumas, são referências do presente, e outras apenas fazem parte da nossa história policiária.

Foi publicada a classificação geral do Torneio Cinquentenário de Mistério Policiário, que, após a décima primeira prova, tem na frente a Detective Jeremias, isolada. A Detective Jeremias também lidera a classificação de As Melhores. Nas soluções Mais Originais a classificação é liderada por Mali, que  já é a virtual vencedora. 

 
O Inspector Fidalgo

Luís Pessoa continua a relembrar os convívios que ocorreram, principalmente, mas não só, desde os anos 70 do século passado, mostrando fotografias que recordam momentos e policiaristas.

Também tem publicado outro tipo de documentos, como cabeçalhos e páginas de secções que fizeram a história do policiário em Portugal.

Também publica cópias de textos e imagens que remetem para convívios e secções policiárias do passado.

Quando estas palavras são escritas, o  post deste blogue em 30 de dezembro de 2025 é uma fotografia do almoço mensal da Tertúlia Policiária da Liberdade, no Museu do Teatro, realizado em 3 de junho de 2009.


Momento do Policiário

No blogue podem ler-se várias Rubricas: Momento de humor, Video Sherlock Holmes, Regresso ao passado M.A., Hora do Conto; Regresso ao Passado e Problema Curto,. São ainda publicados outros posts sobre questões de atualidade, curiosidades, problemas a concurso e elementos de técnica policial e criminalística.

Já foi publicada a solução do problema Estranha Pescaria.

Na classificação geral, os concorrentes mais pontuados foram   Arjacasa, Inspetor Boavida e O Gráfico.